sexta-feira, 30 de maio de 2014

Favas Contadas visita o país do sol nascente


Gosto de conhecer o trabalho de jovens chefs cozinheiros. O futuro está nestes jovens que agora começam a chegar aos restaurantes, a marcar o seu caminho, a definir linhas para as suas cozinhas, a inovar. Um destes dias fui convidada para o almoço de apresentação do projecto Favas Contadas do promissor chef Daniel Estriga, no seu restaurante Conceito Food Store, em Cascais.

Favas Contadas é um projecto gastronómico que procura levar os comensais a viajar por diferentes destinos. A primeira edição é dedicada ao Japão e os jantares decorrem nos dias 30 e 31 de Maio. Cada experiência, que pode ser sob a forma de jantar ou almoço, será realizada sempre por dois chefs e pelos seus convidados. É uma forma de dar visibilidade a jovens cozinheiros que ainda não têm um espaço seu. O chef Daniel Estriga, para este primeiro evento tem na cozinha ao seu lado, o chef Tiago Penão que conheci no restaurante Midori, e o chef pasteleiro, Diogo Lopes.

O restaurante Conceito Food Store abriu sensivelmente há um ano, com uma decoração moderna e acolhedora, junta no mesmo espaço um outro conceito, o de food store, onde se pode adquirir vinhos, compotas e produtos utilizados na confecção dos pratos. Da sala é possível ver o trabalho dos chefs na cozinha.

Esta viagem por sabores do país do sol nascente começou com ostras ao natural servidas com espuma citronella e pérola de ponzu. Refrescantes, com um delicioso sabor a mar e no final de boca um ligeiro picante dado pela mistura de especiarias japonesas, nanami togarashi. Uma mistura de chilli, casca de laranja, sementes de sésamo, pimenta e algas.


De seguida foi servido mexilhão em tempura de cenoura e gengibre, escabeche de legumes e gelatina de lima. Uma combinação cheia de sabor, com uns aromas ligeiramente ácidos no final de boca, a marcarem a personalidade do prato. Os vinhos estiverem a cargo do escanção João Chambel e para este amuse-bouche, foi escolhido um vinho branco Quinta do Gradil Viognier de 2013, que ajudou a manter a frescura e o sabor a mar na boca.


Para entrada foi-nos servido niguiri de unagui, foie e cereja, e niguiri de carapau com escalivada de pimentos. Adorei a combinação dos pimentos. Muito bom. Os niguiri foram acompanhados de uma aromática Quinta do Gradil Aguardente Xo.


Nos pratos de peixe deliciámo-nos com usuzukuri de pregado em caldeirada, um prato a representar o fundo do mar e bacalhau confitado (meia cura) com molho dengaku e legumes nimono. Um prato com texturas e excelente combinação de sabores. O vinho escolhido para estes pratos foi um tinto Quinta do Gradil Petit Verdot de 2012, um vinho, que na minha opinião resultou melhor com o bacalhau.


Antes do prato de carne, refrescámos o palato com sakura (flor de cerejeira ou cerejeiras em flor em japonês) com crumble de cereja e uma base de amêndoa. A flor de cerejeira é a flor símbolo do Japão.


Terminámos os pratos principais da melhor forma com ramen de bochecha de porco. Ramen é uma sopa japonesa muito aromática. Existe até um filme romântico, The Ramen Girl, em que a história anda à volta de uma rapariga que decide aprender a fazer este prato.


Este almoço do projecto Favas Contadas foi finalizado com uma sobremesa de coco, ananás e coentros, pela mão do chef pasteleiro Diogo Lopes. Uma combinação muito interessante. É curioso como os coentros funcionaram deliciosamente nesta sobremesa.


Estes jantares são oportunidades únicas. Momentos especiais de viajar pelo mundo através da comida.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um almoço com sabores a Primavera no restaurante Hotel Aviz


Há dois nomes que me vêm logo à memória sempre que vou ao restaurante do Hotel Aviz, e são eles, o do mestre João Ribeiro e de Calouste Gulbenkian. João Ribeiro, esteve à frente da cozinha do restaurante desde a sua inauguração em 1933 e Calouste Gulbenkian foi um famoso hóspede do hotel já nos últimos anos de vida. O hotel esteve situado até 1962 no local onde hoje está o Sheraton, e por lá passaram conhecidas actrizes e muitas outras ilustres figuras do mundo da música à política. O Hotel Aviz foi considerado o mais importante hotel de luxo na altura na cidade de Lisboa e re-abriu em 2005 no local onde hoje se encontra, na rua Duque de Palmela.

Tem à frente da cozinha, actualmente, o chef Cláudio Pontes, que conheci no jantar dedicado ao capão do projecto Endógenos. Este jovem chef procura conjugar a tradição e os pratos cheios de história deixados pelo mestre, com o seu cunho pessoal. E foi num dia cheio de sol que tive a oportunidade de visitar o restaurante e de experimentar a carta com sabores da Primavera.


Depois de provar os diferentes pães com queijo, chegou à mesa um delicioso e reconfortante consommé de lagosta. Um caldo rico e cheio de sabor, a que se seguiu um apetitoso salmonete com sabor a mar, servido com batata-doce, que adoro, e molho vilão.


E como um delicioso passeio por Lisboa, num dia bonito e inspirador, chegou à mesa um prato que me despertou os sentidos. Codorniz em massa recheada com alheira e servida com ovo, iscas e ginja. Irresistível.


E para terminar a refeição de forma doce e feliz, chegou à mesa um morango. Ou melhor, uma sobremesa em forma de morango gigante, recheado com mousse de morango, que tive que partir para chegar ao recheio, a fazer lembrar-me também a surpreendente sobremesa que tive o prazer de degustar no referido jantar do projecto Endógenos dedicado ao capão. E foi assim de forma doce que terminou este delicioso almoço num dos mais emblemáticos restaurantes da cidade de Lisboa.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Croquetes de alheira com maionese de marmelada


A Feira do Livro de Lisboa começa já esta quinta-feira dia 29 de Maio e estende-se até dia 15 de Junho. Eu vou lá estar no stand da minha editora, a Marcador, no dia 10 e no dia 15 de Junho de 2014. Nestes dias conto com a vossa visita.

Para uma apaixonada de livros como eu, esta é uma oportunidade especial para adquirir alguns livros que vou colocando na minha lista de obras a comprar. A Feira do Livro de Lisboa é uma boa oportunidade, especialmente pelos livros do dia, e pelos variados descontos que proporciona.

Nos últimos anos, tenho tentado aumentar a minha biblioteca dedicada à gastronomia e gostaria de ter nas minhas estante alguns livros sobre a história da cozinha portuguesa ou que incidam sobre os sabores portugueses. Entre eles, destaco: O Porco, com sua licença de Maria Antónia Goes, Memórias da Culinária Alentejana de António Almodôvar, Doçaria Portuguesa de João Luís, Sabores Judaicos de Trás-os-Montes de Graça Sá-Fernandes e Naomi Calvão, O livro de Mestre João Ribeiro de José Quitério e de José Labaredas e Escritores à Mesa (e outros artistas) de José Quitério. Estou curiosa também para ver o programa, esta é uma excelente oportunidade para contactar autores, assistir a palestras e lançamento de livros. E claro, para mim não há feira do livro, sem comer uma ou duas farturas. Quentinhas, são uma maravilha!

Enquanto a Feira do Livro não chega, deixo-vos uma sugestão para um dia de festa com sabores bem portugueses, alheira e marmelada.


Croquetes de alheira com maionese de marmelada

Ingredientes para aproximadamente 10 croquetes:
1 alheira
1 ovo
8 g de salsa picada
Farinha de trigo q.b.
Pão ralado q.b.
Óleo para fritar q.b.
Maionese de marmelada q.b.


1. Retirar a pele à alheira e esmagá-la com um garfo.

2. Adicionar a gema de ovo e a salsa picada.

3. Formar bolinhas com a mistura, com a ajuda de um pouco de farinha.

4. Passar as bolas de alheira primeiro pela clara ligeira batida e de seguida pelo pão ralado.

5. Fritar as bolas de alheira em óleo quente até ficarem douradas.

6. Escorrer os croquetes de alheira em papel absorvente.

7. Servir os croquetes com maionese de marmelada.


Podem fazer variantes desta receita. Podem fazer uma mistura de alheira e farinheira ou alheira e azedo, um enchido típico de Trás-os-Montes. O aroma ligeiramente ácido da alheira combina de forma harmoniosa com o doce da marmelada. Experimentem e digam-me o que acharam.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Maionese de marmelada


Em tempo de marmelos, cá por casa, faz-se sempre marmelada. Já fiz com vinho do Porto, com limão, em cubos e uma marmelada cremosa. A minha preferida é a que fica bem vermelhinha e que se corta às fatias, a fazer-me lembrar a que o meu avô Augusto vendia na sua mercearia. Descobri há uns tempos a Marmelada Branca de Odivelas e fiquei com curiosidade em experimentar. Conhecem?

A sugestão de hoje não é uma receita de marmelada, mas uma forma de a usar para servir, por exemplo com uns croquetes, com uns ovos de codorniz cozidos, com uns palitos de curgete panados com especiarias ou outros ingredientes que funcionem bem com o sabor doce e ligeiramente ácido da marmelada.


Maionese de marmelada

Ingredientes:
150 g de marmelada
50 g de maionese

1. Colocar os ingredientes num copo e com a varinha mágica, triturar.


A marmelada de compra deixa a maionese mais clara, mas se usarem caseira, bem vermelhinha, o resultado final fica ainda mais bonito. Esta maionese fica tão boa, que cá por casa, a primeira vontade foi comê-la à colherada!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Bacalhau confitado com puré de batata e curgete salteada


Uma das coisas que me acompanha nos meus dias são livros. Adoro ler romances, aventuras, relatos de viagens, poesia. Desde que comecei o Cinco Quartos de Laranja que procuro ler romances em que a comida é também um ingrediente, um personagem, à volta do qual os outros giram, constroem laços. Há uns tempos atrás li a obra A Viagem dos Cem Passos, que conta a história de um chef indiano em França, desde os primeiros passos até à conquista da primeira estrela Michelin e que vai chegar este ano às salas de cinema. Confesso que já estou cheia de curiosidade. O modo como o cinema mostra as cozinhas, os chefs a trabalharem e a comida servida, é sempre muito inspirador.

E inspirador espero que seja também este prato que vos trago hoje e que desenvolvi para a rubrica Batatas com Sabor.

Bacalhau confitado com puré de batata e curgete salteada

Ingredientes para 4 pessoas:
4 postas de lombo de bacalhau
380 ml de azeite
7 grãos de pimenta-da-Jamaica
10 grãos de pimenta-branca
4 hastes de tomilho
6 dentes de alho
475 g de batatas para puré
60 g de manteiga sem sal
1 dl de natas
1,5 dl de leite
2 curgetes
Noz-moscada q.b.
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Colocar o bacalhau numa assadeira. Adicionar quatro dentes de alho com a camisa, as pimentas em grão e três hastes de tomilho. Regar com 3,5dl de azeite.

2. Levar o bacalhau ao forno pré-aquecido a 100ºC durante aproximadamente 35 a 40 minutos.

3. Descascar e cortar as batatas em cubos.

4. Colocar as batatas numa panela com água fria e sal a gosto. Levar ao lume e deixar cozinhar.

5. Depois das batatas cozidas, escorrer e reduzir a puré com a ajuda de um passe-vite.

6. Adicionar a manteiga, o leite e as natas previamente aquecidas. Temperar com sal, pimenta-preta e noz-moscada a gosto. Mexer. Se necessário retificar os temperos.

7. Cortar a curgete com a casca em pequenos cubos.

8. Levar ao lume 30ml de azeite com dois dentes de alho picados. Assim que o alho começar a frigir, adicionar a curgete cortada e uma haste de tomilho. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Deixar saltear a curgete até estar macia, mas crocante.

9. Servir o bacalhau com o puré e a curgete salteada.

O bacalhau confitado fica muito saboroso e combina na perfeição com o puré de batata e o crocante da curgete

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Compota de morango com tomilho


Os morangos são uma das frutas preferidas cá em casa. Comem-se normalmente ao natural, dispensando as natas. Uso-os também muito nos sumos que faço quando chego a meio da tarde a casa.

Este ano para aproveitar uma caixa de morangos que comprei no mercado, decidi fazer compota. E que boa que ficou!

Compota de morango com tomilho

Ingredientes:
1 kg de morangos
800 g de açúcar amarelo
Sumo de 1 laranja
Sumo de 1 limão
1 colher de sopa de folhas de tomilho frescas picadas
Uma pitada de sal


1. Limpar e cortar os morangos ao meio.

2. Colocar os morangos e os restantes ingredientes numa panela.

3. Levar ao lume até obter ponto estrada.

4. Guardar a compota em frascos esterilizados.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Bolachinhas de manteiga


O mês de Maio é um mês feliz. Os mercados enchem-se de cor. Encontramos ervilhas, favas, cebolas novas, nêsperas, cerejas e pêssegos. Ou seja, tantos bons motivos para cozinhar. Para mim, tem sido um mês ocupado. Workshops no Porto, uma aula de cozinha na Cozinha Popular da Mouraria, onde confeccionámos croquetes de alheira, caldo verde e um arroz de polvo malandrinho. Participei enquanto jurada num pequeno passatempo de cozinha no lançamento do livro Paixão pela Cozinha, que se revelou muito bem disposto. Tive também a possibilidade de participar no workshop dado pelo chef Nuno Diniz no espaço Kiss the Cook organizado pela IVO Cutelarias. Estive em filmagens à volta dos tachos com a Mónica do blogue A Mulher é que Manda. Para a semana, dia 22 às 18h30, vou estar a cozinhar receitas práticas para comer ao ar livre, no El Corte Inglés, juntamente com a Catarina do blogue Dias de uma Princesa. Marquem na vossa agenda.


Deixo-vos, hoje, uma sugestão doce para fazerem em família e levarem para um piquenique ou para um lanche em casa.

Bolachinhas de manteiga
(adaptada de uma receita de bolachas da edição de Abril 2014 da revista Mulher Moderna na Cozinha)

Ingredientes:
200 g de açúcar amarelo
200 g de manteiga sem sal
1 ovo pequeno
500 g de farinha sem fermento
6 colheres de sopa de leite
1 colher de sopa de extracto de baunilha
Uma pitada de sal


1. Bater a manteiga com o açúcar.

2. Adicionar o sal, o ovo, a farinha, o leite e a baunilha. Amassar.

3. Formar uma bola com a massa, envolver com película aderente e levar ao frigorífico durante 1h30 a 2h.

4. Estender a massa numa superfície polvilhada com farinha. Com a ajuda de um cortante, cortar a massa em forma de bolachinhas.

5. Colocar as bolachas num tabuleiro forrado com papel vegetal.

6. Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC e deixar cozer durante 12 minutos.