O café faz parte das minhas rotinas diárias. Gosto do cheiro do café logo pela manhã. Gosto de terminar as refeições com café.
Uso o café em algumas das minhas receitas, principalmente nos doces. Agora uma refeição com café do princípio ao fim ou em pratos de carne ou peixe, parece-me um grande desafio. E foi isso que a
Nespresso propôs a vários
chefs. Criarem uma refeição em que o café fosse o ingrediente em destaque. Sabemos que em sobremesas os aromas do café resultam muito bem, mas e em pratos de carne e peixe?
O primeiro jantar desta
Nespresso Gourmet Weeks teve lugar no
restaurante Feitoria com os
chefs João Rodrigues e Ricardo Costa do
Yeatman. Seguiu-se o Porto. O primeiro foi no
restaurante Pedro Lemos e hoje será no
Ferrugem, o restaurante da conhecida dupla Renato e Dalila. Amanhã, será no
restaurante Oitavos com os
chefs Cyrill Deviliers, Joaquim de Sousa e Francisco Siopa.
Um dos jantares em que tive a possibilidade de estar presente foi o do dia 11 de Julho no
restaurante River Lounge do hotel
Myriad by SANA Hotels. Cheguei ao final da tarde, ainda a tempo de ver o pôr do sol com vista para o Tejo e a ponte Vasco da Gama. A vista privilegiada deste restaurante já por si merece uma visita.
O jantar começou com uns aperitivos, que enquanto íamos conversando com os restantes convidados, souberam muito bem. A sopa fria de melancia com um toque de gengibre ou os canudos de abacate foram dos meus preferidos. Como o final de tarde estava quente, a frescura destas entradinhas destacou-se.
Sentados à mesa, entre uma selecção de pães - foi aqui que comi o melhor pão de caril, tão perfumado e com uma cor linda - para mergulhar no azeite com vinagre balsâmico, chegou o
amuse-bouche preparado pelo
chef Frederic Breitenbucher, duo de
foie gras e coxa de pato com
chutney de figos com especiarias, geleia de
espresso leggero ao vinho do Porto. Um prato complexo, com uma excelente harmonização de sabores.
A entrada esteve a cargo do
chef Patrick Lefeuvre, do
restaurante Flor de Lis, que nos serviu um ravioli de lavagante com aipo, infusão de marisco e
lungo leggero. Para mim foi um prato que me fez viajar pelo mar, pelo fundo do mar, com algas, muitas texturas e cores, com vida. A base com uma complexidade de verdes e algas, que íamos pescando a cada garfada. Por fim, o marisco e uma rede crocante a dar textura a toda esta aventura de sabores. Um prato muito bom, onde o café brilhou sem se sobrepor. A acompanhar as entradas um vinho verde
Soalheiro de 2014.
O prato de peixe foi uma preparação do
chef Frederic, um pregado salteado com
fondant de espargos verdes, couve-flor caramelizada com
espresso origin Brazil e fava tonka, batata
vitelotte e
braisage de limão. Este prato fez-me gostar ainda mais do trabalhado deste
chef. Achei curioso o uso da fava tonka num prato de peixe. A fazer brilhar os sabores do pregado, um vinho
M.O.B de 2012, da região do Dão.
Vitela com puré de cenoura branca, cogumelos selvagens em aroma de
foie e
ristretto origin India foi o prato de carne preparado pelo
chef Luís Mourão. Neste prato houve uma surpresa maravilhosa. Um bombom de chocolate, intenso, que ao derreter na boca provocava uma verdadeira explosão de sabores. Que coisa boa! Para acompanhar o prato de carne foi-nos servido um vinho do Douro,
VT de 2008.
A sobremesa foi preparada pelo
chef anfitrião da noite, que nos surpreendeu com geleia de café e caramelo com
crumble de chocolate e gelado de
ristretto. Ainda hoje penso no sabor fresco e delicioso do gelado. Uma maravilha.
Quinta do Alqueva de 2005, foi o vinho escolhido para acompanhar a sobremesa.
E para terminar a refeição, café, como não podia deixar de ser! Estes jantares são uma provocação aos nossos sentidos. Os pratos, elegantes, são visualmente muito apelativos. E depois os sabores são uma viagem por ingredientes que arrumamos em gavetas e que os
chefs nos levam a perceber que afinal resultam em outros contextos. O café, foi um deles!