quarta-feira, 9 de abril de 2014

O polvo pelos chefs do Sangue na Guelra no Peixe em Lisboa


No sábado ao final da tarde rumei para o Peixe em Lisboa, iniciativa que decorre até ao próximo domingo, 13 de Abril de 2014, no Pátio da Galé. Para mim, este é um dos mais importantes eventos de gastronomia realizados em Lisboa, e pelas suas características, diria do país. Para mim, é sempre uma grande oportunidade poder ver as demonstrações de cozinha dos chefs nacionais ou estrangeiros. Gosto também de visitar o Mercado Gourmet e de ir provar algumas das iguarias dos restaurantes que marcam presença. Este ano estou curiosa com a francesinha de atum e sapateira do restaurante Avenue da chef Marlene Vieira. Alguém já provou?

Os chefs envolvidos no evento Sangue na Guelra, produzido por Amuse Bouche e integrado no Peixe em Lisboa, estiveram no auditório, ao final da tarde de sábado, para falarem e apresentarem pratos de polvo. Foram eles, João Oliveira, sous-chef do restaurante The Yeatman, João Simões, Sven Wassmer um dos fundadores do restaurante suíço Focus, Nuno Barros chef da 1300 Taberna - restaurante anfitrião da iniciativa - Leonardo Pereira do restaurante Noma e Alessandro Negrini, sous-chef do restaurante italiano Il Luogo di Aimo e Nadia.


Destas apresentações destaco o enchido de cabeça de polvo feito pelo chef Nuno Barros. A cabeça do polvo foi recheada com arroz e a sua tinta. Depois de cortar a cabeça em fatias, que me faziam lembrar uma morcela de arroz, foram fumadas.


Sven Wassmer trouxe-nos alho fermentado, preto, com ligeiro aroma azedo, feito por ele. Se quisermos tentar fazer em casa, implica mantermos o forno a 60ºC durante 3 meses.


O sous-chef Leonardo Pereira revelou-nos os segredos da cabeça do polvo. Para além da glândula digestiva e do saco de tinta, os machos, têm uma bolsa com o esperma. E quando se sacrifica um animal, tudo deve ser aproveitado por isso, Leonardo mostrou-nos como preparar e transformar o esperma deste molusco numa iguaria. Derreteu manteiga numa frigideira onde alourou fatias de pão. De seguida, abre a cabeça do molusco, e retira a bolsa com o esperma. Faz um corte na bolsa e retira o interior, que parecia uma pasta de tom branco, que leva a alourar na frigideira. Serve a iguaria no pão com folhas de levístico. Deu cinco curtos segundos aos fotógrafos, antes de começar a saborear a iguaria.


Se Leonardo Pereira nos deixou com vontade de nunca mais desperdiçar as entranhas do polvo, o sous-chef Alessandro Negrini mostrou-nos como comer polvo cru. Alessandro começou por colocar o polvo dentro de um saco com água e sal. Referiu que o ideal será usar água do mar. Fechou o saco e colocou-no num pequeno alguidar. Começou a agitar o alguidar, com uma mão, para a frente e para trás, como o movimento de uma onda. O ideal é fazer este procedimento sem interrupções durante vinte minutos. Alessandro explicou que este é um procedimento muito antigo em Itália, junto dos pescadores. Depois do polvo massajado, o chef cortou-o para todos provarem. O polvo cru foi servido com tomate seco, farinha de grão fumado e melaleuca em pó.


Comer polvo cru? - É mesmo uma experiência! Tive a possibilidade de provar. Assim que se coloca na boca e se mastiga as primeiras vezes, até sabe bem, mas não é para todos os estômagos. No entanto, são estas experiências que nos enriquecem. Ver como um produto pode ser trabalhado, quer nos agrade ou não.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Pão de batata com sementes de papoila


Há cheiros, gestos que se tornam rotinas, hábitos de sempre e que quando nos faltam, sentimos necessidade de os retomar, reavivar. Como se os gestos, nos levassem a recordar, a viver os momentos bons. Desde que me lembro, a minha mãe sempre fez pão. Preparava o fermento. Guardava um pedaço de massa que colocava num prato. Polvilhava com farinha e guardava para usar na semana seguinte. Levantava-se de madrugada. Amassava, com a força dos seus braços num alguidar de barro, uma amassadura de uns dez quilos de farinha. Guardo sempre a imagem da minha mãe, cheia de força a vergar a massa, a fazê-la ceder aos movimentos das suas mãos fechadas. E depois da massa lêveda, o pão era tendido à boca do forno. E quando saía, o cheiro, o sabor, era simplesmente inesquecível!

É por isso que gosto tanto de fazer pão. De amassar à mão. De repetir um ritual que sempre vi fazer. Claro, que cá por casa, numa escala muito reduzida e num forno elétrico. A comida envolve emoções. E fazer pão deixa-me feliz!

Pão de batata com sementes de papoila

Ingredientes:
285 g de farinha T65
75 g de farinha de grão-de-bico
50 g de farinha de espelta
2 batatas médias para puré
2 dl de água de cozer as batatas
30 ml de azeite
30 ml de leite
7 g de sal grosso
25 g de fermento de padeiro
20 g de sementes de papoila
Farinha para polvilhar q.b.


1. Descascar e cortar as batatas em pedaços. Levá-las num tacho com água ao lume.

2. Depois das batatas cozidas, escorrer e reservar a água de cozedura.

3. Reduzir com um passe-vite as batatas em puré.

4. Numa taça colocar 175g de puré de batata já frio, o azeite, o leite e as farinhas.

5. Colocar o fermento desfeito no centro das farinhas. Regar com 1 dl de água morna de cozer as batatas e ir desfazendo o fermento à medida que se vai envolvendo com um pouco de farinha.

6. Tapar o recipiente e deixar levedar durante 30 minutos.

7. Adicionar o sal, as sementes de papoila e a restante água morna. Amassar.

8. Polvilhar com um pouco de farinha e deixar levedar durante 1h. Formar uma bola com a massa e deixar levedar durante mais 30 minutos, sempre com o recipiente tapado com um pano e em local reservado.

9. Pré- aquecer o forno a 225ºC. Colocar um tabuleiro com água na grelha, por baixo, de onde se irá colocar o pão.

10. Levar a massa do pão num tabuleiro polvilhado com farinha ao forno durante 50 minutos.


Desenvolvi esta receita para a rubrica Batatas com Sabor.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Carpaccio - ou talvez não? - de beterraba


A história da alimentação é um mundo fascinante. Para além das histórias dos produtos, origens e influências, agrada-me muito descobrir como nasceu determinado prato. Encontramos nas ementas de vários restaurantes carpaccio de polvo, de bacalhau, de morangos, entre outras possibilidades, como beterraba. Será que tudo o que nos é apresentado cortado em fatias finas recebe a designação de carpaccio? Como nasceu este prato que tanto nos alimenta a imaginação?

Fortunato da Câmara na sua obra, Os Mistérios do Abade de Priscos, conta-nos a história. Guiseppe Cipriani abriu em 1931 o conhecido Harry's Bar, junto à praça de San Marco em Veneza. O bar transformou-se logo num enorme sucesso. O serviço de qualidade, o ambiente luxuoso, foi atraindo para o bar conhecidas personalidades de várias áreas, como escritores, actores, políticos. Em 1950 a condessa Amalia Nani Mocenigo, que estando proibida por ordens médicas de comer carnes vermelhas cozinhadas, pediu a Guiseppe para comer algo saboroso mas que não fosse contra as indicações do médico. Guiseppe ao ouvir as lamentações da sua cliente, foi para a cozinha e regressou com um carpaccio. Um prato com lâminas de lombo de novilho cru servido com um molho branco.

«Guiseppe Cipriani era um amante da pintura renascentista, por isso a exposição retrospectiva sobre a obra de Vittore Carpaccio, que por aquela altura estava em exibição no Palácio Doge, foi mais uma vez uma fonte de inspiração para dar o nome a uma criação sua. O PORQUÊ de se chamar carpaccio ao prato de fatias finas de carne crua com um molho branco deve-se ao estilo do pintor do século XV. (...) Os diversos tons vermelhos, profundos, que caracterizam os seus quadros em conjunto com os degradês brancos marcam o estilo de Carpaccio. (...) O novilho do carpaccio servido à condessa Mocenigo tinha as tonalidades dos quadros de Vittore Carpaccio.»


O carpaccio são as fatias finas de bife de novilho, tudo o resto, tal como se diz no mundo da arte, são falsos carpaccios! Apresentei esta entrada, com sabores frescos de primavera, na edição de Julho de 2013 da revista Saber Viver.

Carpaccio de beterraba

Ingredientes para 4 pessoas:
3 beterrabas médias cozidas
2 laranjas
50 g de queijo feta
30 g de pinhões
40 g de rúcula selvagem
40 g de folhas de agrião

Ingredientes para o molho:
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto
1 pitada de cominhos em pó
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Cortar as beterrabas em fatias finas com uma mandolina.

2. Descascar e cortar as laranjas em gomos, limpos de peles e sementes.

3. Alourar os pinhões numa frigideira ao lume.

4. Colocar as fatias de beterrabas em quatro pratos.

5. Numa taça misturar os gomos de laranja, a rúcula, as folhas de agrião, o queijo esboroado e os pinhões.

6. Numa taça misturar o azeite, com o vinagre, os cominhos, sal e pimenta-preta a gosto. Regar a salada com o molho e mexer.

7. Distribuir a salada pelos pratos com a beterraba.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Bifes de peru panados com puré de legumes e maçã salteada


Os últimos dias têm sido agitados. Esta semana recebi uma equipa de filmagens cá em casa. Preparei um prato salgado e uma sobremesa a pensar nos dias quentes de verão. Para a semana espero mostrar-vos o resultado final.


O fim-de-semana está a chegar. Espero visitar o Peixe em Lisboa que já está a decorrer no Pátio da Galé, em Lisboa, até ao dia 13 de Abril de 2014. O ano passado participei neste evento enquanto membro do júri do concurso O Melhor Pastel de Nata. Este ano a minha participação, neste evento, será mais activa. Vou também colocar as mãos na massa. Este fim-de-semana vai ser especial também porque vou preparar algumas sobremesas para a festa de aniversário de uma das minhas sobrinhas. Irei fazer cake pops. Mas enquanto, o fim-de-semana não chega, deixo-vos uma sugestão para toda a família, que preparei para a edição de Dezembro de 2013 da revista Saber Viver.

Bifes de peru panados com puré de legumes e maçã salteada

Doses: 4 pessoas

Ingredientes para o peru:
4 bifes (500 g) de peru
Sumo de 1 limão
125 g de sêmola de milho
50 g de queijo da Ilha ralado
10 g de salsa
Óleo de amendoim q.b.
Sal e pimenta-preta q.b.

1. Temperar os bifes de peru com sal e pimenta-preta a gosto. Regar com o sumo de limão e deixar a marinar durante 30 minutos.

2. Numa taça misturar a sêmola de milho com o queijo da ilha e a salsa picada.

3. Bater o ovo numa taça.

4. Passar os bifes pelo ovo e de seguida pela mistura de sêmola.

5. Tapar o fundo de um frigideira com pouco de óleo. Levar ao lume, assim que estiver quente colocar os bifes de peru. Deixar alourar de um lado e depois do outro.

6. Ao retirar os bifes de peru da frigideira, colocá-los em papel absorvente.

7. Servir os bifes com puré de legumes e maçã salteada.


Ingredientes para o puré de legumes:
475 g de batata-doce
370 g de batata
125 g de alho-francês sem rama
70 g de manteiga sem sal
1 dl de leite
Sal, noz moscada e pimenta-preta q.b.

1. Descascar as batatas. Cortar as batatas e o alho-francês em pedaços, de seguida colocá-los numa panela com água e sal. Levar ao lume até estarem cozidos.

2. Colocar os legumes, previamente escorridos, num robot de cozinha. Adicionar a manteiga e o leite. Temperar com sal, pimenta-preta e noz moscada a gosto. Triturar. Se necessário retificar os temperos.


Ingredientes para as maçãs salteadas:
3 maçãs (330 g) vermelhas
30g de manteiga sem sal

1. Cortar as maçãs em gomos, removendo, previamente, os caroços.

2. Levar a manteiga ao lume. Assim que derreter, colocar os gomos de maçã e deixar alourar, mexendo a meio, para que fiquem douradas de ambos os lados.


A todos, um bom fim-de-semana!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

5 bebidas especiais para quem faz exercício físico


Para quem faz exercício físico, aqui ficam cinco sugestões de sumos e batidos para antes e depois de uma sessão de treino.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Costeletas de borrego com brócolos para comer e emagrecer


Desde o mês de Fevereiro deste ano que nasceu aqui no Cinco Quartos de Laranja a rubrica Comer para Emagrecer. Procuro publicar receitas com poucos hidratos de carbono, fáceis e rápidas de preparar. Hoje trago-vos mais uma saborosa sugestão para quem se preocupa em manter a linha.

Costeletas de borrego grelhadas com ras el hanout e brócolos salteados

Ingredientes para 2 pessoas:
6 costeletas de borrego
20 g de ras el hanout
400 g de brócolos
3 dentes de alho
0,5 dl de azeite
Sal e pimenta-preta q.b.
1/2 limão para servir


1. Temperar a carne com sal e ras el hanout.

2. Cortar os floretes dos brócolos.

3. Levar ao lume uma frigideira com azeite e os dentes de alho picados. Assim que começar a frigir, adicionar os brócolos e saltear. Temperar com sal e pimenta preta a gosto.

4. Grelhar as costeletas de borrego.

5. Servir as costeletas grelhadas com os brócolos salteados. Regar as costeletas com o sumo de limão.


Ras el hanout é uma mistura de especiarias muito utilizada na cozinha do norte de África.


Outras receitas Para Comer e Emagrecer:
- Beringela e tomate com bacalhau;
- Creme de couve lombarda;
- Salada de espargos com camarão;
- Sopa de chuchu com alho-francês;
- Sopa de couve-flor e coentros.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Batata assada com frango e maionese


Na edição de Março de 2014 da revista Saber Viver desenvolvi um conjunto de receitas práticas a partir de apenas uma batata assada. A ideia era preparar uma refeição com ingredientes acessíveis e com apenas uma batata por pessoa. Uma das receitas que preparei foi esta:

Batata assada com frango e maionese

Ingredientes para uma pessoa:
1 batata assada
70 g de peito de frango assado
3 tomates cereja
Mistura de folhas de alface q.b.
1 colher de sopa de maionese


1. Cortar o peito de frango em fatias.

2. Cortar a batata ao meio.

3. Dispor uma camada de folhas de alface no meio da batata, de seguida o tomate cortado ao meio, o frango e por fim a maionese.


Como assar as batatas:
1. Lavar muito bem as batatas.

2. Picar as batatas com um garfo.

3. Temperar com sal e regar com um pouco de azeite.

4. Levar ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 50 minutos.