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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Doce de curgete com baunilha

Aos anos que queria partilhar convosco esta receita. Por uma ou outra razão, a ocasião foi passando. Mas este ano, tenho três pés de curgete na horta que fiz com a minha mãe. Já vos falei deste projeto. Desde a morte do meu pai que decidi fazer uma horta com a minha mãe. No primeiro ano, tivemos pouca coisa. Umas favas, couves, cebolas, salsa e alfaces. No segundo ano, já nos aventurámos mais. Para além das favas, couves, tomateiros, abóboras, chuchus, curgetes, pimentos, pepinos, tivemos feijão-verde e batata-doce. Este ano, perdemos a cabeça e enchemos a terra de coisas boas. Para além de tudo o que semeámos o ano passado, este ano, acrescentámos ervilhas, beterrabas e alho-francês.

Ter uma horta torna-se terapêutico. A horta precisa que se lhe olhe por ela, todos os dias. Para além da água, adubos, cuidados com as pragas, precisa, essencialmente, de carinho. O que a horta trouxe à minha mãe, na minha opinião, foi um propósito. Todos os dias que se levanta sabe que tem que ir cuidar da horta. A horta depende dela. E depois, como valorizamos tudo o que a horta produz, isso deixa-a feliz. A felicidade é meio caminho para uma vida mais longa ou, pelo menos, ajuda. Gosto de acreditar que sim!

E o que é que a horta me trouxe a mim? Para além de todas as coisas boas que posso colher, trouxe-me mais proximidade com a minha mãe. Trouxe-me algo para fazermos as duas, algo que nos une num único propósito. Trouxe-me muito trabalho, claro! - tanto que por vezes, penso "será que sou capaz?"! Mas para além disso, trouxe-me a vontade de aprender, de saber mais, de procurar informação sobre como plantar e cuidar da terra. Trouxe-me a vontade de guardar sementes e de partilhar plantas com os vizinhos e os amigos. Trouxe-me também o prazer de colocar na mesa o que colho da minha terra.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A minha nova horta com aromáticas


Adoro usar ervas aromáticas nos meus pratos. Quando vivia numa casa com quintal, era fácil ter ervas frescas sempre prontas a usar. O cheiro e o sabor das ervas acabadas de colher é fabuloso. Dão vida e sabor aos nossos pratos.

Desde que me mudei para um apartamento, sem varanda, confesso que passei a ter mais dificuldade em cultivar as minhas ervas aromáticas. No início, ainda tentei, mas acabei por desistir. Passei a comprar as aromáticas em molhinhos nos mercados e nos supermercados. Procurei também maneiras de as conservar, frescas, durante mais tempo, porque me custa comprar as ervas e, passados uns dias, ver que começam a murchar e a ficar sem graça. Também cheguei a adquiri-las em pequenos vasos. Quando as compro estão viçosas, mas quando as coloco na janela da cozinha para ir usando, a verdade, é que também não se aguentam durante muito tempo, com uma ou outra excepção. Também vos acontece o mesmo?

O ideal para mim, seria poder cultivar as ervas aromáticas, em casa, e ir usando-as frescas, ao meu critério. Mas a minha casa não tem condições de luz que permitam tê-las como eu gostaria. Nunca se desenvolvem como era suposto, por isso, deixei de tentar cultivá-las, da forma tradicional.

Quando queremos muito uma coisa, acabamos por andar à procura de soluções. Questionei-me muitas vezes sobre como é que poderia ter uma pequena horta, na minha casa. E um destes dias, a conversar com um amigo, eis que me surge a solução, as hortas urbanas Véritable.


São hortas inteligentes que nos permitem cultivar as nossas ervas aromáticas, flores comestíveis - como amores perfeitos ou flores de curgete, e legumes baby. Nem imaginam o meu entusiasmo, assim que vi uma.

Estas hortas têm um sistema de leds que se ajustam de forma automática. Ou seja, conseguem perceber as necessidades de luz das nossas plantas e fazer um ajuste de forma automática. Por isso, agora podemos ter uma horta em casa, mesmo que as condições de luz da nossa casa não sejam perfeitas. Isto é maravilhoso!

Para além da luz, as nossas plantas precisam de água. A Véritable tem um reservatório com capacidade para dois litros de água, o que dá para, aproximadamente, uma semana. Podemos ter quatro variedades de aromáticas, ao mesmo tempo, na nossa horta. As variedades são adquiridas em lingotes que vêm com a terra e as respectivas sementes. São recargas naturais prontas a usar, em que as sementes são biológicas, sem pesticidas. Para além disso, são também biodegradáveis. Muito prático, como podem ver:



Depois de colocadas as lingotes na Véritable, é esperar que a magia da vida aconteça. A variedade de sementes disponível é grande. Podemos escolher ter na nossa horta, nas ervas aromáticas, aquelas que usamos com mais frequência como a salsa, os coentros, a hortelã, o cebolinho, o manjericão ou o tomilho. Ou então, podemos optar por experimentar e semear o manjericão anão, o manjericão limão ou até o manjericão canela. Variedades de que nunca tinha ouvido falar e que me deixaram curiosa

E o mesmo acontece nos vegetais. Temos disponíveis lingotes com uma variedade de sementes de plantas que conhecemos como a beterraba, a alface, a mizuna, o agrião e outras, menos usuais, como a sanguisorba e as mostardas verde e vermelha. Nos mini legumes podemos optar pelo tomate cereja, pelos mini pimentos ou pelas malaguetas.

Podem adquirir estas hortas, online, na Cook & LifeStyle. Estão também disponíveis na Worten Marketplace e na Lisbon Cooking Academy. Para quem gosta de cozinhar e quer ter ervas aromáticas, este pode ser um excelente presente de Natal.

Agora já tenho a minha horta de ervas aromáticas!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Hambúrguer de alheira com ovo estrelado

Os inícios de ano são sempre, para mim, momentos de paragem. Gosto de retomar as minhas rotinas aos poucos. Gosto de olhar para o ano que acabou e fazer um balanço. Um balanço que permita ver o que fiz, o que poderia ter feito mais, que livros li, por onde andei. Estes balanços prendem-se com uma filosofia de vida que adoptei, há uns anos, que passa por carpe diem. Preciso de me sentir preenchida, útil, que a minha vida faça sentido através dos objetivos que vou estabelecendo.

Em termos de objetivos, para este ano de 2024, gostaria de:

1. Voltar ao meu ritmo de leituras de há uns anos. Como os hábitos se criam e não se mudam de um dia para o outro, este ano, quero ler pelo menos 12 livros. Um por mês.

2. Voltar ao ginásio e a fazer exercício físico de forma mais regular. Os compromissos profissinais, a preguicite, e outros motivos, levaram a que no final de 2023, as idas ao ginásio fossem menos regulares. Em Janeiro, tenho que voltar. Sem falta! O exercício faz-nos mesmo muito bem. Ajuda-nos a libertar a cabeça e a ter mais energia.

3. Trabalhar mais na minha horta e no jardim. Comecei a fazer uma horta com a minha mãe há uns anos e nem imaginam como andamos entusiasmadas. Já temos semeado couves, cebolo e favas. Mas cheias de vontade de encher a terra da horta com muita vida.

4. Viajar. O ano passado estive em Paris. Este ano, vamos ver. Mas as viagens ajudam-nos a crescer, a aprender, a viver.

5. Continuar a aprender sobre cozinha. Em livros. Em programas de televisão.

6. Fazer os Em Direto da Minha Cozinha, aos Domingos de manhã, pelo menos, uma vez por mês. Estes momentos são tão bons. Recebo-vos (virtualmente) na minha cozinha e podemos "conversar" o que é mesmo muito gratificante.

7. Aprender mais sobre saúde e alimentação. Viver de forma mais saudável é um tema que este ano quero aprofundar. Já escolhi alguns livros sobre este tema que espero ler este ano. Depois partilho convosco.

8. Procurar ser feliz, todos os dias. Mais do que um sentimento, é um exercício.

9. Namorar mais. O tempo passa tão depressa. E termos tempo, disponibilidade para fazermos mais coisas a dois, é tão importante!

10. Gerir melhor o tempo. É sempre uma luta a gestão do tempo. Quando nos organizamos conseguimos fazer mais e melhor.

11. Continuar a decorar e a arranjar a minha casa, no Ribatejo. Aos poucos, vai-se transformando num cantinho maravilhoso.

12. Conseguir continuar a partilhar receitas, dicas e muitas sugestões aqui no Cinco Quartos de Laranja e nas redes onde o blogue está presente. Esta partilha passou a ser um trabalho. Espero que 2024 nos traga novos desafios.

E nesse sentido, uma das primeiras receitas que fiz e que partilho, hoje, convosco, é a de hambúrgueres de alheira. A primeira vez que comi, e que me lembro, foi num restaurante aqui em Lisboa, na zona de Alvalade. Deixo-vos a receita.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Doce de abóbora com nozes e vinho do Porto

Se há uns anos atrás, me dissessem que um dia me iria interessar por utensílios agrícolas, tesouras de poda, substratos, técnicas de cultivo e de irrigação. Que um dia, iria a lojas à procura de serrotes e motoserras, roçadoras com rodas, entre outras coisas, acho que a primeira reação seria rir-me! E depois, possivelmente, diria que isso dificilmente iria acontecer porque os meus interesses e actividades estavam focados noutras áreas.

Mas a vida não é uma linha reta. E o que o ontem parecia impossível, hoje, tornou-se uma realidade. Desde que comprei a minha casa no Ribatejo, que passei a querer ter uma horta, a querer cuidar do terreno e das árvores. Passei a querer cortar lenha para a lareira e a cuidar do jardim.

Ter uma horta é muito gratificante. Para além de nos permitir estar ao ar livre, colocar as mãos na terra, no final, temos a recompensa de colher o que vimos crescer. E este processo é inigualável.

Posso dizer que ter uma horta é uma forma de aprendizagem. É algo que nos acaba por mudar. Uma das coisas que mudou, aqui em casa, foi a organização do lixo. Sempre fizémos a separação do lixo, mas agora tem um destino diferente. Tudo o que seja biodegradável vai para o compostor. Tenho um compostor pequeno, aqui em casa, que depois despejo para um de maiores dimensões que tenho no terreno. Papéis e cartões vão para o compostor ou para a lareira. Posso dizer-vos que o lixo produzido, aqui em casa, reduz-se, praticamente às embalagens. E isso deixa-me muito contente.

Outra mudança que ocorreu foi que me passei a interessar por sementes. Hoje em dia, procuro guardar sementes. E passei a querer colocar na horta, legumes que fizeram parte da minha infância. O ano passado, comprei sementes de abóbora porqueira. Sempre me lembro de a minha mãe dizer que a abóbora porqueira era óptima para fazer doce. E na horta, com a ajuda da minha mãe, tivemos abóboras porqueiras. Para partilhar com a família fiz doce de abóbora e doce de abóbora com nozes e vinho do Porto, que fez muito sucesso. Deixo-vos, hoje, a receita.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Rolo de carne com farinheira

Maio tem sido um mês bonito. Passei por alguns canais de televisão. Fiz o lançamento do meu livro Planear, Cozinhar e Congelar. Tenho trabalhado na horta com a minha mãe. Tenho conseguido cumprir alguns dos meus objectivos de leitura.

Fazer uma horta, foi um dos projectos que decidi iniciar com a minha mãe, depois da morte do meu pai. Tem sido uma actividade que nos uniu ainda mais, que nos motiva imenso. Tratar da horta, escolher o que cultivar, tem-se revelado muito gratificante. Temos, todos os dias, assunto para conversar. Todos os dias, estabelecemos tarefas a realizar, o que é óptimo.

Segundo o psicólogo Fernando Lima Magalhães, « (...) as sensações que as plantas provocam nos cinco sentidos podem levar a benefícios, como sentir prazer pelo observar a beleza das plantas, o tratar das plantas pode fazer sentir um propósito, que é tratar de um ser vivo; a recompensa de ver a planta a crescer pode ajudar a um sentimento de autocontrolo (associar as ações a um resultado positivo), os cheiros da planta ou o efeito positivo no ar pode ser sentido pelo olfato. Por outro lado, se a atenção estiver focada na planta isto permite desligar o cérebro de preocupações e pensamentos negativos, o que reduz a ansiedade, mas de uma forma geral, o contato com a natureza é positivo para a saúde mental, como se nos ajudasse a reconectar com o mundo natural. »

Fazer uma horta, é uma actividade positiva. Faz-nos sentir úteis, temos algo para cuidar. E, é muito gratificante acompanhar o ciclo de uma planta, desde que se coloca na terra até ao momento em que colhemos. Uma das coisas que fazemos, assim que a vou visitar, é ir ver a horta. Nestes dias, caminhamos as duas lado a lado e explica-me quais são as plantas que temos, mostra-me as que já estão em flor, as que já têm fruto e as que precisam de algum cuidado. E depois questiona-me: - sabes quantos pimentos têm aquele catalão? - Não, digo, eu! E responde-me, 10! Tem 10! Sabem o que é mesmo bom, é que estes momentos já ninguém nos tira.

Deixo-vos uma sugestão para este fim-de-semana, façam algo com a vossa família que ajude a criar memórias. Não é preciso pensar em coisas complicadas ou em que se gaste muito dinheiro. Por vezes, basta juntar a família na cozinha e preparar uma refeição. Este fim-de-semana, façam com os mais novos ou com os mais velhos, um rolo de carne. Quando chegar à mesa, vai saber ainda melhor! Experimentem.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A minha horta de aromáticas


Adoro usar ervas frescas nos meus cozinhados. Mas, nem sempre, é fácil conservá-las. O ideal, seria ter um espaço onde as pudesse plantar. Um pequeno jardim, ou uma varanda. Mas, a verdade, é que não tenho. Comecei por tentar cultivar algumas ervas junto à janela da cozinha, mas ou não nasciam ou quando tinha a sorte de a natureza jogar a meu favor, cresciam pouco e não me pareciam ervas felizes.

A estratégia seguinte foi comprar vasos com as ervas já crescidas e ir usando. Entre salsa, coentros, tomilho, apenas o manjericão se conseguiu aguentar. Aos poucos e poucos, deixei de insistir neste desejo de ter uma pequena horta de ervas aromáticas, prontas a usar, até que um amigo me deu a conhecer as hortas urbanas Véritable.


Estas hortas são muito práticas. Não precisamos de andar a regar. Esse era um dos meu problemas. Ora, colocava água a mais, ora, colocava água a menos. Também, não nos precisamos de preocupar com a luz.

Para terem uma ideia de como estas hortas funcionam, basta colocarmos as lingotes de terra na horta. As lingotes trazem já as respectivas sementes. Enchemos o depósito com água e o sistema de leds vai regulando a intensidade de luz que as plantas precisam. Muito fácil e prático!


Conseguimos ter uma pequena horta, em casa, com muito pouco trabalho. Depois das lingotes colocadas, basta-nos ir abastecendo o depósito com água e ver a magia da natureza acontecer. Se forem como nós cá em casa, assim que colocamos as lingotes, começamos todos os dias a ver se já há vida na nossa horta. Ver as plantas a nascer é mesmo muito especial. E para as crianças é uma verdadeira alegria.

Para além das ervas aromáticas, salsa, hortelã, coentros, etc., podemos escolher ter também flores, tomate cereja, legumes baby ou alfaces. Tudo criado sem pesticidas. Podemos ter quatro variedades de plantas na horta, ao mesmo tempo.



Podem adquirir estas hortas, online, na Cook & LifeStyle. Estão também disponíveis na Worten Marketplace, El Corte Inglés e na Lisbon Cooking Academy.

A horta Véritable pode ser um excelente presente para o Dia da Mãe.


Já agora, podem aproveitar a promoção do Dia da Mãe, a oferta de uma caixa com 4 lingotes de morangos (2 morangos brancos e 2 morangos vermelhos) e um pincel de polinização. O pincel serve para polinizar as plantas de fruto, como os morangos, neste caso. Fica a sugestão.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

As coisas boas de 2016 ...


Em cada ano que começa, gosto de olhar para trás. Contemplar e reflectir. É um exercício que me faz pensar no que fiz, no que quero fazer, no fundo, que rumo e sentido quero continuar a dar à minha vida.

Acredito sempre que todos os anos nos trazem coisas boas. Acredito, também, que cada um de nós consegue fazer as escolhas certas de modo a ser feliz. Mesmo quando há coisas que não controlamos ou que não dependem de nós. Acredito que há sempre caminhos. E se nos deparamos com um muro. Esperamos. Ponderamos e arranjamos maneira de o superar. Nem que para isso tenhamos que construir degraus. Na vida há sempre dias menos bons, em que nos falta a energia, em que colocamos em dúvida muitas coisas, mas também há outros, em que parecemos estar ligados à corrente e sentimos cá dentro uma voz forte e determinada que nos diz: Tu consegues! Tu consegues! Vai, força! Esses são os melhores dias! E que esses, ao fim de um do ano, sejam sempre a dobrar em relação aos outros. A nossa postura perante a vida faz toda a diferença. Ao ver um copo com água, gosto sempre de pensar que está meio cheio e não meio vazio!

A gratidão é um sentimento de reconhecimento pelo bom que a vida nos oferece. Sinto-me grata pelas coisas boas que 2016 me trouxe. Pelas oportunidades. Pelos momentos doces que vivi. Por ter aqueles de quem gosto, perto de mim. Por acordar todos os dias junto da pessoa que escolhi para partilhar a minha vida, que me estende a mão e me diz muitas vezes: "Tu és capaz"!

Nos balanços finais de um ano, entre as coisas boas e menos boas, só gosto de contar e relembrar o que de bom pude viver. É disso que se alimenta a minha energia, a minha vontade e força para continuar.

De Janeiro a Julho, estive às quartas-feiras no programa A Praça na RTP1. Participar numa rubrica de um programa de TV da manhã, de forma regular, foi muito gratificante. Aprendi. Conheci novas pessoas. Cresci.

2016 foi um ano marcado por workshops e showcookings. Grande parte deles realizados em Lisboa e no Porto. Mas consegui também ir a Salvaterra de Magos, Óbidos, Estoril, Castelo Branco, Constância, Sintra e Abrantes. Voltei à Feira do Livro de Lisboa. Estive no Street Food Festival no Estoril, no centro comercial Alegro de Castelo Branco, na InterCasa, ACPP, WORK espaço criativo e na escola Isto Faz-se. O carinho com que sou recebida enche-me o coração. Obrigada. Muito obrigada a todos por estarem presentes. Por me fazerem companhia.

Festejei 10 anos de blogue. Uma data doce e especial. A festa foi feita com um workshop oferecido aos leitores do Cinco Quartos de Laranja pela Samsung. Nunca imaginei que este projecto me iria fazer mudar de vida. Ou pelo menos, tem-me feito caminhar por estradas que nunca imaginei. Todos os dias dou graças por o ter feito nascer.

Visitei novos espaços. Estive na Estufa Real num almoço. Passei pelo Cais da Pedra e pela Sala de Corte. Voltei ao Ritz para um almoço com Alvarinho. Retornei ao River Lounge, ao Flores e ao Claro. Descobri o Estórias. E jantei maravilhosamente na Casa de Chá da Boa Nova.

Encontrei-me com alguns amigos em datas felizes. Reencontrei-me com outros, distantes pelo passar dos dias, mas sempre presentes no lado esquerdo do peito.

Participei, enquanto membro do júri, nos concursos As Presidentes e A Revolta do Bacalhau. Estes convites deixam-me sempre feliz. São oportunidades que gosto de aproveitar.

Fiz a minha primeira palestra num seminário dedicado ao Empreendedorismo, onde apresentei o projecto Cinco Quartos de Laranja. Foi muito interessante ter uma plateia de jovens a assistir.

Lancei um novo livro, O Livro de Petiscos da Isabel, pela editora Marcador. É um livro com receitas práticas e muito saborosas. É sem dúvida um livro que vos vai ajudar a serem felizes à volta da mesa.

2016 foi um ano de muitas leituras. Gosto de andar sempre a ler e todos os meses não resisto a comprar novos livros. Há sempre tantas novidades!

Lancei duas novas rubricas que me têm dado muito prazer em partilhar convosco. A Vamos Fazer Pão? - já com mais de 15 receitas de pão e pão doce - e a Vamos Preparar o Natal. Em 2017, espero poder partilhar mais ideias e receitas para vos ajudar a preparar uma das minhas épocas preferidas do ano. Têm acompanhado?

Em 2016 pude abraçar o meu pai e a minha mãe. Dizer-lhes, a cada um deles, muitas vezes, gosto de ti. Em 2016 olhei para o azul do céu. Vi o pôr-do-sol no final de um dia de praia. Andei de mão dada pelas ruas de Lisboa. Ri-me. Fiz rir. Olhei a noite estrelada numa noite quente de Verão. Coloquei flores nas jarras que tenho espalhadas pela casa. Ouvi fado. Rodopiei, na minha cozinha, ao som da Ana Moura. Brinquei e corri com os meus cães em Santarém. Vi a horta crescer. Apanhei fruta madura nas árvores que vi plantar.

Em 2016 tentei agarrar a felicidade das pequenas coisas. Dos pequenos nadas que somados se tornam gigantes.

Que 2017 seja um ano que nos continue a permitir sonhar!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Adeus Junho e bem-vindo o Verão!


Gosto do silêncio. Gosto de voltar à minha terra e sentir apenas o vento a passar pelas folhas das árvores, de ouvir um bando de pardais de volta dos figos maduros de uma das figueiras do quintal, gosto de andar pela horta, de apanhar limões, de espreitar as galinhas que correm felizes ao ar livre de um lado para o outro. Sabe bem voltar a um local que sentimos como nosso. Um local em que podemos limpar a alma das agitações da vida. Eu tenho a sorte de poder voltar, sempre que posso, à casa onde nasci. E este é um grande privilégio!

E foi assim o mês de Junho, cheio de momentos bons. Almoços com a família. Passeios pela horta. Felizmente, foi um mês com uma agenda de trabalho preenchida.

Estive no European Street Food Festival 2016 no Estoril para dois showcookings. Nem imaginam a alegria que senti por ter na assistência, nos dois dias, várias leitoras e leitores do Cinco Quartos de Laranja. Estive também na Feira do Livro de Lisboa, onde apresentei duas receitas dos meus livros, Cozinha para Dias Felizes e Delicioso Piquenique. O carinho que recebi foi do tamanho do mundo. Obrigada a todos os que fizeram questão de estar presente. Nem imaginam como me encheram de alegria!

Tive a honra de participar na segunda tertúlia organizada pela biblioteca de gastronomia da ACPP - Associação Cozinheiros Profissionais de Portugal, com o tema Cerejas, Sardinhas, e Santos Populares ao lado dos chefs António Bóia e André Magalhães. Foi um final de tarde muito agradável.

Em Junho, às quartas-feiras, continuei a minha colaboração com o programa da RTP1, A Praça. Preparei no dia 1, com a ajuda especial de duas crianças, os Esses de batata-doce laranja, na semana seguinte apresentei umas deliciosas asinhas de frango assadas no forno, a que se seguiram duas propostas bem docinhas, uma tentadora tarte húmida de chocolate e uma panna cotta de leite de coco com maracujá a pensar nos dias de Verão. É tão fresca. Antes de embarcar no comboio, mantenho a tradição de registar o momento com uma foto da estação.


Em Junho li As Altas Montanhas de Portugal de Yann Martel. Estava muito curiosa com este livro. Deste autor tinha lido A Vida de Pi, que adorei e recomendo vivamente. Confesso que a primeira parte do livro não me agarrou, mas depois foi uma verdadeira surpresa. Uma história que nos faz reflectir sobre a vida e com um final inesperado. Para Julho, escolhi A Vida no Campo de Joel Neto. Sou uma apaixonada pelos Açores e este é um livro que fala do regresso às origens, da vida numa ilha, a Terceira. Foi a minha amiga Céu que me deu a conhecer este escritor há uns bons anos. Ainda vou nas primeiras páginas mas estou a adorar a intensidade da escrita, a poesia das palavras.

A minha cozinha encheu-se de perfumes e ervas aromáticas. Decidi fazer uma limpeza a todas as especiarias abertas há já muito tempo. O bom das especiarias são os aromas que libertam no prato. Abertas vão perdendo o seu encanto. Limpei também alguns vasos e mudei as minhas ervas aromáticas da cozinha de modo a que apanhem mais luz. Adoro usar ervas frescas nos meus pratos e tê-las à mão dá tanto jeito. Viram como as costumo guardar no frigorífico? Aguentam-se semanas sempre frescas. Experimentem!

Aproveitei o bom tempo e fui este ano pela primeira vez à praia. Adoro andar à beira-mar ao pôr-do-sol e de caminhar na areia mesmo junto à água.


Que Julho nos traga dias de sol, passeios à beira-mar, momentos felizes à volta da mesa e muitas alegrias doces para recordar!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Batata-doce assada com curgete e ovo estrelado


Crescer no campo tem vantagens. Mas, nem sempre pensei assim. Quando entrei para a universidade e tive a oportunidade de deixar a pequena localidade que me acolheu durante dezoito anos, senti-me radiante. Para quem sempre viveu com os pais, para mim, esse foi um momento muito importante. A vinda para a universidade foi o bilhete da (aparente) independência.

A primeira semana que passei em Lisboa foi simultaneamente emocionante e solitária. Lembro-me que foi vivida cheia de saudades dos meus pais, da rotina do dia-a-dia, dos vizinhos que conheci desde sempre. Saudades das pequenas coisas. De passear pelo quintal. De brincar com os cães. Assim que pude, regressei a casa no primeiro autocarro.

Em Lisboa tudo era novo. Uma cidade a fervilhar de coisas interessantes. Para quem chega a uma grande cidade vinda de um meio pequeno, há sempre coisas a que nos temos que adaptar. A primeira vez que andei de metro sozinha, enganei-me e tomei o sentido contrário. Os autocarros apinhados de gente na hora de ponta, levaram-me muitas vezes a preferir andar a pé. Outra das coisas que estranhei foi a comida. No meu primeiro contacto, lembro-me de achar que tudo tinha molhos que me enjoavam um pouco e que havia imensa coisa com queijo.

A pouco e pouco fui-me apaixonando por Lisboa. Hoje é a cidade onde escolhi viver. É a minha cidade. Gosto de passear nas ruas, de parar nas esplanadas, de visitar os mercados. E gosto também de voltar à minha terra. Uma das primeiras coisas que faço, é espreitar como está o quintal. Continuo a gostar de ver o que está cultivado. Como estão as laranjeiras. Gosto de apanhar bem-me-queres, de passar as mãos pelo alecrim e inspirar fundo. Sabe tão bem!

Uma das vantagens de se viver no campo, é o espaço. Há espaço para a horta, para o galinheiro, espaço para colocar uma mesa grande no alpendre para um almoço com a família, espaço para ter um forno a lenha. A minha mãe durante anos usou o forno todas as semanas. Uma das coisas que fazia era cozer pão e era sempre uma festa. Pão quente com manteiga é de ir aos céus. E para mim,
ninguém o faz como ela. Quando cozia aos domingos, aproveitava e colocava um tabuleiro com carne a assar para o almoço. Lembro-me de lhe pedir tantas vezes para assar também batata-doce num tabuleiro à parte sem mais nada. Adoro batatas-doces e comia-as como se fossem guloseimas. Ainda hoje, sou capaz de comer uma batata-doce bem assada em vez de uma sobremesa.

A minha sugestão de hoje tem batata-doce, mas não é uma guloseima. É uma forma diferente de preparar uma refeição com apenas uma batata que desenvolvi para a edição de Março de 2014 da revista Saber Viver.


Batata-doce assada com curgete e ovo estrelado

Ingredientes para 4 pessoas:
4 batatas-doces grandes
315 g de curgete
3 dentes de alho
55 ml de azeite
30 g de manteiga sem sal
Sal e pimenta-preta q.b.
Flor-de-sal q.b.


1. Lavar muito bem as batatas.

2. Picar as batatas com um garfo. Temperar com sal. Regar com 15 ml de azeite.

3. Levar ao forno pré-aquecido a 220ºC durante 45 a 50 minutos minutos.

4. Cortar a curgete com a casca em pequenos cubos.

5. Levar o restante azeite numa frigideira ao lume. Adicionar os dentes de alho picados. Deixar frigir um pouco e adicionar a curgete. Temperar com sal e pimenta-preta a gosto. Saltear durante um a dois minutos.

6. Levar a manteiga ao lume numa frigideira anti aderente. Quando derreter, estrelar os ovos.

7. Cortar as batatas ao meio. Rechear com a curgete salteada.

8. Servir as batatas com um ovo estrelado por cima.

9. Polvilhar o ovo com flor-de-sal.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Véritable, uma solução para quem quer ter uma horta em casa


O sabor das ervas aromáticas ajuda-nos a transformar os nossos pratos. Mas quantas vezes já aconteceu comprarmos ramos de salsa ou de coentros e que nem metade acabámos por usar? Por vezes precisamos das ervas para finalizar um prato, uma entrada ou até para juntar a uma bebida. É nestas alturas que pensamos que bom que era ter uma pequena horta.

Durante anos, quis tanto ter uma horta em casa, mas nem sempre me corria bem. Ora as plantas apanhavam muita luz, ora não apanhavam, ora colocava muita água, ora enchiam-se de pragas. Quando ia e voltava de férias, tinha quase sempre que replantar tudo.

O ano passado, um amigo deu-me a conhecer as hortas urbanas Véritable e foi assim que finalmente consegui ter uma horta com ervas aromáticas, em casa.


Estas hortas são muito práticas, funcionam com um sistema de LEDs que se ajustam automaticamente às necessidades de luz das plantas, têm um depósito de água com cerca de dois litros de capacidade e um sistema que nos alerta quando temos que o voltar a encher.

Podemos ter quatro variedades de aromáticas na nossa horta, ao mesmo tempo. Caso queiramos, podemos fazer uma cultura de ervas aromáticas, flores comestíveis ou, por exemplo, tomate cereja.

As variedades são adquiridas em lingotes que vêm com a terra e as respectivas sementes. São recargas naturais prontas a usar, em que as sementes são biológicas.

Cá em casa, nestes dias resolvi fazer uma nova sementeira na minha horta, a pensar na chegada do Ano Novo. Desta vez, decidi cultivar manjericão, uma das ervas que resulta muito bem na horta e que usamos muito. Escolhi, também, cebolinho, tomilho e salsa.


O sistema de colocação dos lingotes na Véritable é muito fácil e intuitivo. Desta vez, até decidi colocar em cada um deles, o nome da erva aromática, que recortei das caixas dos respectivos lingotes. Nem imaginam como adoramos ver as plantas a crescer. E não sou só eu. Passou a ser algo de família. Acreditam, que assim que as semeamos, passamos a ver todos os dias se já começaram a crescer?


Com a Véritable é tão fácil ter uma horta, em casa! Para quem anda à procura de presentes para oferecer neste Natal, deixo-vos esta sugestão, que pode ser adquirida na loja online Cook & Lifestyle. Ao comprarem usem o código LARANJINHA. Este é daqueles presentes que fica bem em todas as cozinhas!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Salada de couve-flor com salmão e as minhas leituras


Todos os anos gosto de olhar para trás e fazer um balanço. Todos os anos percorro as folhas da minha agenda cheia de pequenas notas, que não passam de registos do que fiz, do que gostaria de fazer ou ideias que quero colocar em prática. Ter uma agenda transformou-se numa necessidade. Todos os anos em Dezembro, procuro comprar uma que preencha alguns dos meus requisitos. Apesar de ter também um calendário no telemóvel, a agenda em papel tem um valor especial. Nunca entro num novo ano sem ter uma agenda, pronta a ser escrita. É quase como uma superstição.

Ao folhear a minha agenda de 2013, encontro um resumo breve do que foi a minha vida neste ano. Desde jantares com amigos, os aniversários da família, listas de coisas que quero fazer, desde obrigações até às que me dão prazer, encontro frases soltas, poemas que li e registei, encontro listas de tarefas, listas de livros que quero ler ou que li, listas de filmes, as séries de cozinha que não quero perder, até aos meus compromissos profissionais ou actividades ligadas ao Cinco Quartos de Laranja. E como Dezembro está quase a chegar ao fim, a agenda de 2014, já cá está em casa.

Os últimos dias do ano são, sempre para mim, dias de balanço. Gosto de rever o que fiz. Gosto de perceber se consegui fazer com que os meus dias fossem felizes e preenchidos com as coisas que me dão prazer. E à semelhança de outros anos, começo também por fazer o balanço dos livros de gastronomia que li ou que chegaram à minha cozinha neste ano.


As minhas leituras gastronómicas de 2013 foram (por ordem de leitura):

- Cozinhar com Jamie - um livro sobre técnicas de cozinha, desde molhos, massas, passando pelo peixe, carne até às sobremesas.

- Cozinhar com Identidade de Fausto Airoldi - um livro de receitas numa viagem pelos sabores portugueses;

- Tratado do Petisco de Virgílio Nogueiro Gomes - um livro indispensável a quem se interessa por gastronomia e história da alimentação portuguesa;

- Alimentos ao Sabor da História e Os Mistérios do Abade de Priscos de Fortunato da Câmara. Cada vez mais acho interessante viajar pela história dos alimentos ou das receitas;

- Small Plates & Sweet Treats de Aran Goyoaga. Adoro o blogue Cannelle e Vanille e assim que vi que tinha publicado um livro, não resisti. As fotografias são lindas e as receitas, simplesmente inspiradoras. Gostei de descobrir que a autora trabalhou durante uns tempos em Cascais;

- Da Horta para a Mesa de Cláudia Villax - um livro cheio de dicas para quem quer ter uma horta. Para além dos vários conselhos sobre o que plantar e que cuidados se devem ter, desde a preparação dos solos, como evitar algumas pragas até receitas que se podem fazer para dar destino ao que se produz. Aconselho vivamente a experimentarem os morangos com açúcar de hortelã-pimenta, são tão bons. O açúcar com o sabor da hortelã eleva os morangos para um patamar de sabor surpreendente;

- The Sprouted Kitchen de Sara Forte - mais um livro de uma blogger. Gosto de algumas das combinações menos usais que esta autora coloca nos seus pratos de cozinha, principalmente vegetariana.

Para além dos livros de receitas e de gastronomia, adoro ler romances em que a comida é um elemento importante. Em 2013, a gastronomia em livros de ficção passou por A Rainha dos Gelados de Anthony Capella. Um romance à volta da história da preparação de gelados, com reis, rainhas e muitas traições.

Li ainda Comer e Amar em Paris que não é um livro de ficção, mas uma história verídica deliciosa de uma americana que se apaixona e casa com um francês. O livro trata da adaptação da autora ao estilo de vida francês. As idas ao mercado são deliciosas e o modo como vai descobrindo a cozinha francesa, despertou-me ainda mais a vontade de conhecer Paris.

Os livros fazem parte da minha vida. Não me imagino sem livros por perto ou sem andar a ler um livro, às vezes até mais do que um. Escolhidos para ler em 2014, de cozinha, tenho cá em casa:

- Sabores do Ar e do Fogo de Fátima Moura - uma viagem pelos sabores do fumeiro português;

- A História da Invenção na Cozinha de Bee Wilson - livro que nos fala sobre a evolução de muitos dos utensílios de cozinha;

- The Smitten Kitchen Cookbook de Deb Perelman - confesso que gosto de comprar livros de bloggers;

- What Katie Ate de Katie Quinn Davies - um livro lindo, lindo. Para além das receitas, as fotos deixam-nos a sonhar;

- Franny's - Simple, Seasonal, Italian de Andrew Feinberg, Francine Stephens e Melissa Clark - um livro de cozinha italiana do restaurante Franny's em Brooklyn. Vou buscar muitas das minhas inspirações à cozinha italiana. O gosto pelas flores de curgete, por exemplo, vem das minhas viagens a este país;

- Secrets of the Best Chefs de Adam Roberts. O autor do blogue Amateur Gourmet cozinha com vários chefs e amigos, revelando truques e dicas;

- The Kinfolk Table de Nathan Williams - um livro com receitas, de pessoas de várias partes do mundo (chefs, bloggers, etc.);

- A Year in My Kitchen de Skye Gyngell - um livro que acompanha o ritmo das estações com várias receitas.


É curioso ver que há cada vez mais bloggers a publicaram livros de comida. Penso que é um bom sinal. E enquanto o ano novo não chega, por cá estamos rendidos às sopas e às saladas, para equilibramos os excessos cometidos no Natal e para nos prepararmos para os que vamos cometer na passagem de ano.

Salada de couve-flor e salmão grelhado

Ingredientes:
400 g de couve-flor
330 g de couve-flor romanesca
4 postas do lombo de salmão
200 g de bulgur
1 dl de azeite
1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Cortar as couves em floretes. Cozer os floretes em água a ferver temperada com sal. Depois de a couve cozida, retirar da água e reservar.

2. Cozer o bulgur no caldo onde se cozeu a couve. Depois de cozido, escorrer e colocar o bulgur numa taça.

3. Juntar os floretes de couve ao bulgur.

4. Grelhar os lombos de salmão, temperados com sal e pimenta.

5. Numa taça emulsionar o azeite com o vinagre, sal e pimenta-preta a gosto.

6. Regar a salada de bulgur com o molho. Mexer. Se necessário retificar o sal e a pimenta.

7. Servir a salada com o salmão grelhado.


A todos, votos de boas leituras em 2014!

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Caldo verde com chuchu

Todos os anos, gosto de traçar alguns objetivos que me acompanham e ajudam a manter o ritmo que quero para a minha vida. Os objetivos que estabeleço não são imperativos, são guias de orientação que me ajudam a manter a motivação e o foco. Desde que me lembro, que gosto de fazer listas.

Quando era miúda tinha um caderno onde ia anotando os livros que ia lendo. E desde os tempos do secundário, que tenho uma agenda! Traçar objetivos enquandra-se nesta minha pequena forma de me organizar.

Quando penso em objetivos, penso em coisas, que consiga alcançar e que me ajudem a ter uma vida preenchida e com a sensação de missão cumprida. Por exemplo, adoraria conseguir ler 70 livros por ano. Mas este não é um objetivo realista para mim, tendo em conta a minha vida pessoal e profissional. Por isso, procuro estabelecer metas mais adequadas ao que eu sei que poderei conseguir.

Os meus objetivos, para 2025, são:
1. Mexer-me! Fazer caminhadas, ir ao ginásio, dançar, o que for! Tenho é que me exercitar!

2. Ler. Este é daqueles objetivos que estebeleço todos os anos. Este ano quero ler 12 livros;

3. Ainda em relação aos livros, para 2025, coloco mais um objetivo. Comprar livros novos depois de ler alguns dos que tenho. Ou seja, por exemplo leio dois da estante e posso comprar um!

4. Quero fazer iogurte natural e keffir regulamente, em casa. Já começei!

5. Aprender mais sobre o maravilhoso mundo dos fermentados;

6. Ajudar a minha mãe na horta;

7. Fazer o meu jardim, junto à casa, no Ribatejo;

8. Ter uma colmeia!

9. Fazer uma alimentação consciente e diversificada;

10. Organizar-me melhor, planeando mais. A organização é a chave para a produtividade!

11. Juntar mais vezes os amigos e a família à volta da mesa;

12. Cozinhar muitas receitas para partilhar convosco!

Algumas das receitas que partilho convosco surgem de uma necessidade. Por vezes, essa necessidade é dar destino a coisas boas que trago da horta. Este ano, tenho sido previligiada com chuchus em abundância. Os chuchus são muito versáteis, podemos usá-los em mil e uma receitas, inclusive bolos e doces. Mas já há algum tempo que queria experimentar usá-los na base do caldo verde. Deixo-vos, hoje, a receita!

domingo, 16 de agosto de 2009

Entre o Faial e o Pico

A minha viagem de férias este ano, aos Açores, começou no Faial. Cheguei ao aeroporto da Horta por volta das 14h30, de uma terça-feira e, esta era a minha primeira visita à ilha. Mas para primeira visita tive o prazer de ser acompanhada pela minha amiga Isabel e pelo seu marido Luís, que amavelmente nos foram buscar ao aeroporto e nos deram a conhecer a ilha. Enquanto esperávamos, no aeroporto, pelos nossos amigos, reparei na quantidade de mulheres taxistas que ali chegavam para recolher os passageiros. Achei curioso, pois por cá, apenas de vez em quando lá encontramos uma senhora a conduzir um táxi.

A nossa introdução à ilha começou com um pequeno petisco, sandes de frango assado e uma cerveja fresquinha no restaurante Vista da Baía do Varadouro, para depois permitir um banho no chamado Porto Comprido, com vista para o vulcão dos Capelinhos.

Depois do banho subimos um pouco e fomos visitar a zona à volta do vulcão. Essa zona está marcada por sinais de negro. A terra árida continua com muito poucos sinais de vida e o farol marca presença, agora como miradouro, mas que não chegámos a subir. Seguiu-se uma visita rápida ao Centro de Interpretação do vulcão e seguimos viagem em direcção à Praia do Almoxarife de extenso areal negro.

Acabámos este primeiro dia de viagem pelo Faial a tomar um gin tónico e um pastel de bacalhau na esplanada do famoso Peter's. Nunca um gin tónico e um pastel de bacalhau souberam tão bem!

A convite da Isabel e do Luís voltámos ao Faial no dia 7 de Agosto, uma sexta-feira com sol. Agora com um pouco mais de tempo, fizemos um passeio mais demorado por diferentes partes da ilha. Passámos pela Caldeira que nesse dia o Luís corajosamente desceu, procurámos uma queda de água e ao longo de toda a ilha pudemos contemplar os caminhos cheios de hortênsias de diferentes tons de azul, que ajudaram à designação do Faial como Ilha Azul. "O Homem que teve a ideia de bordar as estradas com estas plantas devia ter uma estátua na ilha. (...) O seu azul é o azul esmaltado dos Açores nos dias límpidos. Nos dias turvos substituem a cor do céu: são o azul desta terra enevoada e uma das suas maiores belezas. Imaginem o cinzento que se derrete e alastra e torna o céu mais azul, as molhadas de flores duma cor cada vez mais intensa e mais fresca. Há-as por toda a parte: nas estradas formando alas e nos campos formando sebes; servindo para dividir os terrenos e de tapagem aos animais pacíficos. Enchem a terra de exuberância e de azul" - escreveu Raul Brandão na obra As ilhas Desconhecidas.

Depois de uma ida à praia do Almoxarife, onde tive o meu baptismo de água no mar dos Açores, fomos até à cidade da Horta onde nessa altura decorria a Semana do Mar. Durante esta semana, a zona da marginal enche-se de barraquinhas com produtos regionais e do continente e, são organizadas diversas actividades como regatas e outras de carácter recreativo. Mas o que nos interessava mesmo eram as tasquinhas.

A Isabel, o Luís, o Ricardo e eu sentámo-nos numa barraquinha com pratos e petiscos típicos da gastronomia açoriana. Para petiscar pedimos: linguiça, morcela, torresmos (conhecidos por cá como rojões), favas com molho de unha (um nome estranho para um molho tão bom) e por fim umas lapas na chapa que achei divinas, para além do alho, manteiga parece-me que levaram um pouco de massa de malagueta. Os petiscos foram acompanhados com uma garrafa de vinho branco Frei Gigante fresquinho. Com o entusiasmo perante tão boas iguarias só houve oportunidade de tirar uma fotografia às lapas e isto porque o Luís nos chamou a atenção.

Para as sobremesas fomos a uma outra tasquinha, escolhemos arroz doce, pudim de maracujá bem servido graças à pronta intervenção da Isabel que achou que uma moça do continente merecia um pouco mais e bolo formigueiro.

Depois do jantar fugimos da chuva e procurámos abrigo num café, mas estava tudo cheio. Jovens, turistas, locais enchiam as tasquinhas e os cafés junto à marginal. Restou-nos abrigar numa esplanada com chapéus de sol abertos. Depois de tomarmos café, de falarmos sobre a beleza das ilhas, a vontade de subir ao Pico fomos assistir ao concerto dos Clã. Assim que acabou apressámos o passo em direcção ao porto para apanharmos a última lancha para Madalena, na ilha do Pico.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A minha participação no porto.come


Cheguei à Alfândega do Porto, no sábado, ao final da tarde. O rio Douro brilhava aos últimos raios de sol e a temperatura fazia lembrar um dia de verão. Na Praça das Experiências o chef Henrique Sá Pessoa fazia a sua apresentação. Ao ver a quantidade de pessoas que assistiam ao showcooking senti ainda mais o peso da responsabilidade. A seguir seria eu. Para mim, era a primeira vez que iria cozinhar com público a assistir. O tema para este evento era os sabores tradicionais.


As sopas marcam a cozinha da minha mãe, feitas com os produtos frescos da horta, desde que me lembro. Às vezes a sopa chegava a ser só por si uma refeição. Adoro as sopas da minha mãe. Um dos ingredientes que usa com frequência é o tomate. Desde o chucha, passando pelo tomate redondo até ao chamado de inverno, que guardava em pequenos cachos pendurados.

A sopa é um prato muito versátil. E as possibilidades de fazermos sopas variadas são imensas. Aqui no porto.come decidi apresentar uma sopa de tomate e courgette com queijo de Nisa. Servi-a em copos de shot, em duas variantes. Uma, com manjericão fresco e outra, polvilhada com pimenta-de-caiena para todos aqueles que gostassem de um ligeiro sabor picante. A sopa servida desta maneira pode ser um excelente entretém de boca para o início de uma festa de família ou de amigos. Publiquei a receita desta sopa num artigo para a revista Saber Viver do mês de Outubro 2012.

Ao longo da minha sessão de showcooking tive a preciosa ajuda de duas alunas do curso de pastelaria da Escola de Hotelaria do Porto que me ajudaram em todos os momentos da preparação. À Ana Sá e à Virgínia Almeida, o meu muito obrigada!


Aquando da degustação, os trinta copos preparados desapareceram num instante. Para minha surpresa e alegria, formou-se uma fila de pessoas munidas de mais copos para provar a sopa, que rapidamente se esgotou.

A seguir ainda tive tempo para assistir à sessão da simpática Teresa Rebelo do blogue Lume Brando que tive o privilégio de conhecer pessoalmente nesse dia.

Agradeço à organização da porto.come e ao Mercado de Sabores do Continente por esta oportunidade. Muito obrigada a todos que assistiram à minha apresentação, em especial a todos os leitores do blogue ali presentes e aos que fizeram questão de me cumprimentar e falar comigo. Tornaram esta sessão ainda mais especial.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Salada de tomate coração-de-boi com sardinhas

Na minha casa, no Ribatejo, tenho uma pequena horta. Uma horta que me permite ter beterrabas, acelgas, cebolas, espinafres, manjericão e tomate. Tenho variedade mas não quantidade, os espaços para cultivar são pequenos. De vez em quando, mostro-vos no Instagram do Cinco Quartos de Laranja, apontamentos da horta. Em casa da minha mãe, temos também uma horta, uma horta grande com espaço para termos mais quantidade.

A ligação à terra é muito gratificante. Hoje em dia, penso em melhorar a qualidade do solo da minha horta. Faço compostagem. Ao cuidar da horta sinto-me feliz. Gosto de acompanhar o crescimento do que coloco na terra e quando o que cultivamos está pronto a colher, é uma satisfaçao enorme. Por aqui, está aberta a época das receitas com tomate da horta.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Gaspacho de tomate e melancia

Um destes dias, ao ver uma publicação de uma pessoa sentada num sofá com roupas glamorosas, daquelas que só uma peça custa, pelo menos, um ordenado, numa casa luminosa, magnífica, esplendorosa, daquelas que criam desejo e nos abrem as portas para a secção dos sonhos difíceis - leia-se impossíveis - de concretizar, quando dei por mim, estava a questionar-me sobre o luxo. O que é o luxo?

Luxo é tudo aquilo que é caro? De uma maneira geral, sim. «Etimologicamente, a palavra luxo deriva do latim lux, que significa luz, brilho e iluminação. Está associada a algo brilhante, precioso, desejável e exclusivo.» Há roupas, sapatos, casas, carros, jóias, relógios de luxo. Este tipo de luxo existe, é inegável. É um tipo de luxo acessível a poucos - e por isso, também, tão atrativo - estando associado à pose de muito dinheiro.

É esse o tipo de luxo que queremos na nossa vida? Todos queremos viver bem, de forma confortável e, por isso, o luxo ser apreciado de formas diferentes. Mas ao fazer esta pergunta, lembrei-me de uma frase de Otto von Bismarck, a liberdade é um luxo a que nem todos se podem permitir. Mais do que bens materiais, que nos dão status social ou que nos categorizam economicamente - e que obviamente são importantes, luxo, hoje em dia, é termos liberdade. É podermos fazer escolhas. É termos tempo para fazer coisas de que gostamos ou para estarmos com a família e os amigos. É termos saúde e não precisar de ir para um hospital.

Mais do que vivermos focados em conseguir os grandes luxos, podemos concentrar-nos nos pequenos luxos, ou nos nossos luxos simples do quotidiano, que nos preenchem a alma e nos trazem a felicidade da satisfação. Então, que luxos encontro na minha vida que me ajudam a viver de forma menos complicada, a sentir-me melhor comigo e com os outros?

Para mim, luxo é ter trabalho. Ter um trabalho que me motiva e que me ajuda a ter um propósito. É dormir bem, sem preocupações ou ansiedades. É poder namorar. É olhar para o céu azul, num dia bonito e sorrir. É andar junto ao mar e sentir a tranquilidade do cheiro fresco a maresia. É tomar café no silêncio do campo. É combinar fazer doces, para o ano inteiro, com a sogra. É poder ter uma horta com a mãe.

Colocar na mesa coisas que plantei, com a minha mãe, é algo a que, hoje, ainda me posso dar ao luxo! Luxo é, também, partilhar coisas boas e saborosas com vocês. A receita de hoje, tem muitos ingredientes que trouxe da horta, principalmente o tomate. Espero que gostem!

Grata por redescobrir a alegria das pequenas coisas nas experiências do dia-a-dia e apreciar o requinte da simplicidade.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Sargo grelhado com batatas salteadas em alho e salsa


A minha família é ponto de partida para muitas coisas. Foi com ela que recebi princípios e valores que fazem de mim a pessoa que sou. É a ela que gosto de voltar depois de dias atribulados. É com ela que encontro uma certa paz e tranquilidade. A minha família, é também influência ou ponto de partida para algumas das comidas que faço.

Quando vivia numa casa com quintal, num prédio antigo, em plena cidade de Lisboa, uma das coisas que fazia assim que os dias bonitos, de sol, chegavam, era colocar a mesa e respectivas cadeiras ao ar livre, à sombra de um dos limoeiros. Juntava muitas vezes a família para almoços demorados em que a estrela era o peixe grelhado. Depois de mudar de casa, o encanto pelo peixe grelhado, feito em casa, desvaneceu-se. Ao longo destes anos, os grelhados de peixe resumiram-se ao salmão, a umas lulas e penso que pouco mais.

Num destes dias o Ricardo e eu fomos comer a casa dos meus sogros e o jantar foi peixe grelhado. Umas suculentas postas de peixe espada preto chegaram-nos ao prato a pedirem um fio de azeite e que as degustássemos sem mais demoras. Soube tão bem este peixe grelhado.

No passado fim-de-semana fui visitar os meus pais. Almoço com a minha mãe. Visita à horta. Ao final do dia, chega então o meu pai, vindo das suas pescarias com os amigos. Que sorte a minha! Trouxe uns sargos fresquinhos para o almoço do dia seguinte. E sabem como é que decidi preparar este peixe com sabor a mar? Grelhado.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Doce de chuchu com laranja e coco

No início de cada ano, gosto de rever como foi o ano anterior. Para me ajudar, revejo o album de fotos que fui tirando com o telemóvel e consulto a minha agenda. Apesar de toda a tecnologia, confesso que ainda gosto de ter uma agenda em papel onde vou colocando os meus compromissos e outras notas.

Em relação ao balanço, já vos falei do clube de leitura Ler com Apetite e dos livros que li no ano que passou.

Em termos profissionais, o ano passado, fiz workshops no Porto e voltei a fazer workshops em Lisboa. Soube bem voltar a fazer workshops em Lisboa, ou melhor, na Academia Auchan de Alfragide, que é um espaço que reune excelentes condições para este tipo de eventos. Fiz, também, pela primeira vez, um workshop no Cascais Food Lab, e correu muito bem. Foi uma manhã muito gratificante.

Em termos de showcookings, estive na Oficina da Regueifa e do Biscoito, em Valongo, onde preparei receitas com regueifa e biscoitos, típicos da região. Passei pelo Rock in Rio, desta vez no Parque Tejo Lisboa, com um showcooking no stand da Teka e voltei à festa do Continente, no Porto, a convite do azeite Oliveira da Serra, onde preparei uma receita de aproveitamentos. Estive no festival Read On, em Almada, a cozinhar os sabores da Primavera, com receitas frescas e cheias de cor. Voltei a ser jurada do concurso O Melhor Pastel de Nata de Lisboa e do concurso A Mesa dos Portugueses. Fazer parte do grupo de jurados destes concursos é mesmo muito gratificante.

Em 2024 participei em alguns programas de televisão e cozinhei várias receitas Em Direto da Minha Cozinha. Sabem que adoro receber-vos na minha cozinha, é uma forma de conversarmos. Para mim, é mais uma forma de partilha.

O ano passado, apoiei a minha família e ajudei a minha mãe na horta. Recebi os meus amigos em casa.

Das coisas que fiz, pela primeira vez, assim que me lembro, destaco viajar de avião de Lisboa até Faro, ter uma experiência, em família, numa sala Escape Room e fazer o meu próprio keffir. A vida tem sempre mais piada quando valorizamos as pequenas coisas, ou melhor, quando as pequenas coisas nos trazem um sentimento de felicidade e de conquista. Uma outra coisa que fiz, pela primeira vez, no ano que passou, foi doce de chuchu. Gostei tanto que decidi, fazer para oferecer no Natal. Deixo-vos, hoje, outra receita de doce de chuchu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Adeus Setembro, até para o ano ...


Setembro é um mês de renovações. De regressos. Para mim, é como se começasse um novo ano. A cada Setembro há um retomar de rotinas. Pensam-se e definem-se novos projectos. Setembro marca o caminho para a chegada do fim-do-ano. Começam-se a contar os dias para o Natal. Mas antes temos ainda as vindimas. Apanham-se os últimos figos. Colhem-se as abóboras e os marmelos. Começamos a sonhar com as castanhas assadas. Os dias, pouco a pouco, tornam-se mais pequenos. As noites chegam mais frias. Em Setembro anuncia-se a mudança.

No início de Setembro estive na Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém. Uma iniciativa de louvar do actual Presidente da República. Ali encontrei amigas de longa data com quem adorei estar a conversar. Soube tão bem!

Fui até Santarém. Gosto sempre de regressar às origens. De matar saudades da família mais chegada. De passear com os cães. De passar a tarde na horta. Ora apanho figos. Ora vou dar milho às galinhas. Ora vejo se a pata está no choco. Será que os ovos vão nascer todos? - é a pergunta que fazemos sempre! Ora vou ver o borrego que acabou de nascer e que ainda tenta encontrar o equilíbrio das suas quatro patas. A cada dia que passa, valorizo cada vez mais estas pequenas coisas. A simplicidade das coisas da terra enche-nos a alma. Quem sente o calor de um ovo acabado de pôr, quem vê nascer um pinto, um porco ou outro animal, quem tem a sorte de ver crescer uma horta, acaba por valorizar a comida de outra maneira. Temos que ensinar às nossas crianças de onde vem a nossa comida e o esforço que é feito para nos chegar à mesa.


Em Setembro estive no Congresso Gastronómico Estrella Damm. Ouvi vários chefs nacionais e estrangeiros, entre eles Albert Adrià a falar de inovação. Também estive presente num dos dois dias do Congresso Nacional dos Cozinheiros, dedicado à temática do risco. E ainda bem que corri o risco de estar presente num dos mais importantes congressos de cozinha da actualidade, em Portugal. Foi com agrado que vi várias apresentações de chefs nacionais das quais destaco o chef João Rodrigues, do restaurante Feitoria, a mostrar cada vez mais a solidez do seu trabalho. Um Henrique Sá Pessoa que me apeteceu aplaudir de pé. Fiquei cheia de vontade de ir ao Alma provar o prato criado a partir da receita tradicional de Bacalhau à Brás, que o chef intitulou Calçada à Portuguesa. Criativo, surpreendente. Pelas apresentações do chef pasteleiro Carlos Fernandes e do chef Alexandre Silva fiquei curiosa com o trabalho que estão a desenvolver no restaurante Loco. É bom ver chefs a tentarem arriscar, a fazerem coisas diferentes, a criarem. Se queremos uma cozinha portuguesa de prestígio, com reconhecimento internacional temos que assumir o risco.


Em Setembro, tive também o privilégio de participar num atelier Nespresso que teve lugar no Mercado de Santa Clara, onde ouvi um produtor vindo do Brasil falar do que é produzir café para uma marca. Foi uma delícia ouvi-lo. O almoço servido esteve a cargo do chef Ricardo Costa do Yeatman. Este atelier serviu também para dar a conhecer os novos cafés da marca que estarão disponíveis apenas nos restaurantes com estrela Michelin.


Entre passeios e saídas em trabalho, houve tempo para ler. Em Setembro escolhi A Rapariga no Comboio de Paula Hawkins. Um livro que se lê de um fôlego. Não é uma obra genial de literatura, mas é um policial que nos desperta a vontade de querer chegar rapidamente ao final da história. Uma das coisas que gostei do livro foi abordar também a questão do alcoolismo, de como esta dependência tolda os sentidos, dá cabo da vida de algumas pessoas. Sorte a de quem se consegue libertar. Há alturas em que sabe bem ler livros assim. Agora, estou curiosa para ver a adaptação para cinema que penso que deve chegar durante o mês de Outubro aos cinemas.

Também em Setembro, voltei a um escritor que descobri recentemente e que estou a adorar, Afonso Cruz. Já leram alguma das suas obras? Comecei com um livro fininho mas delicioso com o título Vamos Comprar um Poeta e agora estou quase a terminar outra das suas obras, Flores, romance recentemente premiado. Um destes dias, a falar com uma amiga, sobre uma tese que defendia que o processo de sedentarização, entre outros factores, se deu porque o Homem queria fermentar os cereais para o fabrico de álcool. Durante a conversa, disse-me: - Tens que ler Jesus Cristo Bebia Cerveja. Afonso Cruz defende algo idêntico. Já está na lista para as próximas leituras!

Setembro levou-me até Castelo Branco, onde realizei um showcooking em boa companhia no espaço Merenda 6000, recentemente remodelado.


Em Setembro, tentei aproveitar a fruta da estação e fiz vários doces e compotas. Apresentei-vos uma receita em vídeo de uma tentadora mousse de chocolate branco com framboesas. Comecei um novo projecto intitulado Vamos Fazer Pão, todas as sextas-feiras. Cresci com a minha mãe a fazer pão todas as semanas para a família. Ainda hoje faz um dos melhores pães que já tive a sorte de comer. Fazer pão em casa torna-se um hábito delicioso. Experimentem!

Retomei as minhas caminhadas. Tenho feito mais de 10.000 passos em cada uma delas, ou seja ando aproximadamente 1h30. Já caminhei pelo Parque das Nações ou pelo Parque da Bela Vista. Há por aí muitos fãs de caminhadas? Onde costumam caminhar?

Despedimo-nos de Setembro com um sorriso. Que Outubro nos traga, a todos, dias felizes. Que nos traga sonhos e alegria. Bem-vindo Outubro!