quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Arroz com 3 pimentos


Há pratos que soam a Verão e, o arroz de pimentos, é um deles. Nós, portugueses, somos conhecidos como os chineses da Europa no que toca ao consumo de arroz. Contam-se os mil e um pratos que fazemos com este ingrediente tão versátil.

O arroz pode ser usado como ingrediente estrela de pratos principais ou ser servido como acompanhamento. No Verão, procuramos pratos que juntem arroz e peixe, concordam?

Há uns tempos atrás, decidi fazer um arroz de elogio ao Verão, com tomate e pimentos. Este arroz, foi o acompanhamento destes filetes de sardinha panados. Combinação deliciosa. Viva o Verão!

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Os livros que me inspiraram a mudar a minha alimentação


As leituras inspiram-nos. As dos romances fazem-nos viajar, sonhar ou apaixonar. Acho que ando sempre a ler um ou mais livros. De há uns anos para cá, a par dos livros de receitas, decidi tentar perceber um pouco mais sobre alimentação.

O que comemos reflecte-se no nosso corpo e na nossa saúde. É importante fazermos uma dieta equilibrada, mas como? Que hábitos devemos promover em prol de uma alimentação saudável? Que dieta devemos seguir? Que alimentos comer? Por vezes, parece que há tanta contradição.
Quando pensamos em alimentação, são imensas as questões que nos surgem, principalmente sobre o modo como devemos comer. Ao longo destes anos procurei respostas para algumas das minhas questões. Fui falando com nutricionistas e procurei ler sobre este tão vasto e apaixonante tema. A seguir apresento-vos alguns dos livros que me inspiraram a mudar a minha alimentação.

Um dos autores que me acompanha desde que li a obra O Dilema do Omnívoro, é Michael Pollan. O que comer? É uma pergunta que tantas vezes nos colocamos. E a massificação de produtos alimentares feitos pela indústria, trouxe ainda mais problemas no momento de decidir o que vamos colocar na mesa para comer. Nesta obra, Michael Pollan para além de falar do milho e como consumimos este ingrediente de forma processada em vários produtos, alerta-nos para o modo como estão a ser cultivados as frutas e os legumes, e como se faz a criação de animais, em algumas explorações. Depois de expor alguns problemas associados ao modo como é produzida a nossa comida, chama-nos a atenção para a importância de fazermos uma alimentação com comida real, mas sem cair em fundamentalismos.

De seguida quis logo ler Em Defesa da Comida. Esta obra é um manifesto, em que o autor alerta o consumidor para que «Coma comida», para que coma sobretudo vegetais, principalmente folhas, falando-nos também da importância de variarmos a nossa alimentação e de olharmos para a nossa tradição gastronómica, para a nossa cultura alimentar. Este é um livro que me ajudou a mudar a minha alimentação, é uma das minhas referências.

Comer Bem Viver Melhor de Dra Darya Pino Rose. Cheguei a este livro por mero acaso. Mas assim que comecei a ler as primeiras páginas já não parei. Tirei desta obra, muitas coisas, mas principalmente, um conceito: - equilíbrio. Comer com equilíbrio é a melhor dieta.

Mas o que é comer com equilíbrio? Como conseguimos fazer esta gestão?

Fazer dieta ou tentar procurar fazer uma alimentação equilibrada, mais do que um destino, é uma viagem. Mais do que querer perder peso rapidamente, o importante é mudar de hábitos e interiorizar rotinas. A comida não é só uma questão de sobrevivência, é uma forma de felicidade e se nos estivermos sempre a privar, não a vamos conseguir alcançar. A privação cria ansiedade, aumenta o desejo por determinado alimento. É preferível matar o desejo comendo um quadrado de chocolate, do que sofrer por não o poder fazer. Para a Dra Darya "as pessoas de mentalidade de crescimento agem como se pudessem melhorar em tudo, caso se esforcem, e que o fracasso é uma experiência de aprendizagem e uma oportunidade para crescerem e melhorarem. Falhar não é reflexo do valor pessoal." Isto é tão importante!

Ao longo do livro percebemos que para perder e manter peso devemos integrar hábitos mais saudáveis e fazer mudanças permanentes no nosso estilo de vida. É fundamental começarmos a mudar a pouco e pouco alguns dos nossos hábitos. Se quiserem começar a fazer tudo de uma só vez, é mais difícil. Um passo de cada vez. Interiorizem.

« Dependendo do nível de dificuldade para o indivíduo, um dado hábito pode levar de duas semanas a oito meses a desenvolver-se, mas, em média, um novo hábito demora cerca de dois meses, ou sessenta e seis dias a enraizar-se. »

« Outro factor importante na formação de hábitos bem-sucedidos é escolher objectivos simples e específicos que possam ser atingidos com um conjunto simples de acções. »

Por exemplo, comecem por beber mais água. De seguida, passem a iniciar as refeições com um prato de sopa. Comam mais devagar e se possível façam da mesa um momento de partilha com a família. Incluam mais legumes e leguminosas nos vossos pratos. Procurem comer comida verdadeira, e se a cozinharem, melhor. Parece que é pouco, mas na prática, vão ver que estas pequenas ações já exigem, mudanças, foco e determinação.

Este é um livro a que volto muitas vezes. Inspirador Ajuda-me a encontrar caminhos para procurar fazer uma alimentação mais equilibrada, sem fundamentalismo. Por que como a autora refere, não há alimentos mágicos!

A Enzima Prodigiosa e A Enzima Prodigiosa 2 de Dr. Hiromi Shinya. Destes dois livros tirei uma lição, ao comer, tenho que ter vida no meu prato. As minhas refeições têm que ter mais ingredientes frescos.

Para o autor a qualidade da água e dos alimentos que ingerimos determinam a nossa saúde. Entre as muitas recomendações sobre carne, peixe, café, leite, margarina, iogurte, alerta-nos também para a saúde do intestino e para ao efeito da oxidação dos alimentos.

No estilo de vida que defende, o Dr. Hiromi, refere que uma alimentação equilibrada para os seres humanos seria composta por 85% de vegetais e 15% de alimentos animais. Comer mais produtos hortícolas, parece-me, que só nos faz bem!

Comer para viver e O Fim das Dietas de Dr. Joel Furhman. São dois livros que vos aconselho a ler.
O Dr. Joel defende que « temos que consumir alimentos com os nutrientes adequados para que não tenhamos necessidade de consumir calorias "vazias" em excesso e para que assim consigamos obter as nossas necessidades nutricionais. » Refere ainda que « a maior parte de nós tende a acreditar em milagres. As pessoas querem crer que, apesar de alguns excessos, se tomarem um comprimido, um pó ou outra opção qualquer, conseguem manter uma saúde excecional. Contudo, esta é uma crença falsa (...). Se deseja uma saúde de excelência e de longevidade, terá de se empenhar na causa. E se deseja emagrecer com segurança, terá de fazer uma alimentação à base de alimentos não-refinados, ricos em nutrientes e em fibra. »

Em ambos os livros encontramos testemunhos de mudança de alimentação e de estilo de vida, de alguns dos pacientes do Dr. Joel Furhman. Existem também planos alimentares e receitas.

Na obra O Fim das Dietas, apresenta indicações precisas sobre o que devemos comer. Por exemplo, recomenda que a dose diária de frutos secos e sementes seja de pelo menos 28 g por dia.

De uma maneira geral, as duas obras aconselham que façamos uma alimentação pobre em calorias e rica em nutrientes.

Comer Bem é o melhor remédio de Alexandra Bento. Um livro que nos tenta consciencializar para as escolhas diárias que fazemos em termos de alimentação. Procura explicar como devemos orientar as nossas escolhas, sem que isso seja caro ou complicado. Alerta para alguns cuidados a termos na preparação e confecção dos alimentos e promove o receituário português. Tem receitas.

Como não morrer e Como não morrer, o livro de receitas de Dr. Michael Greger. Confesso que li primeiro o livro com as receitas. Gostei tanto, identifiquei-me com algumas das ideias e indicações do autor que assim que pude, comprei o primeiro, que entretanto, comecei a ler.

A Revolução Smart Food de Eliana Liotta. Nesta obra a autora apresenta-nos a cultura smart food, com o intuito de conseguirmos fazer uma alimentação mais saudável. Ao longo da obra apresenta e fala de alguns ingredientes que nos podem proteger ou ajudar a promover a longevidade.
No capítulo Factos e Mitos, a autora responde a muitas questões, que de uma maneira geral todos já nos confrontámos, como por exemplo: devemos beber leite? É preciso retirar os hidratos de carbono para emagrecer? A fruta no fim da refeição, engorda?

No final, a mensagem que retirei é, como em tantas outras coisas, o melhor é a moderação. Cada um deve fazer um esforço individual para tomar consciência dos próprios hábitos, compará-los com os padrões ideais, e gradualmente, com calma, ir melhorando a relação que se mantém com a comida.

Food Pharmacy de Lina Nertby Aurell e Mia Clase. Um dos conceitos que retenho deste livro é: inflamação. É um livro que quero reler. As autoras recomendam-nos uma dieta arco-íris, em que os produtos hortícolas são fundamentais. Recomendam o consumo de curcuma, pois é uma das especiarias com maior poder anti-inflamatório.

Cá por casa, passei a usar mais vezes a curcuma ou açafrão-da-Índia.

A Dieta da Água de Dra. Dana Cohen e Gina Bria. O poder da hidratação é o tema desta obra, e é algo que me interessa bastante.

Como sabemos que estamos a beber a quantidade de água suficiente? Beber água só por si é suficiente para nos mantermos hidratados? Para as autoras a água só por si não é suficiente e por vezes a quantidade não significa qualidade. Recomendam para além da ingestão de água o consumo de plantas, frutos, legumes, sementes com propriedades hidratantes.

Estes são alguns dos livros que me levaram a mudar a minha alimentação. As leituras ajudam-nos a perceber e a profundar os temas. Ajudam-nos a ganhar sentido crítico. De cada obra, retiramos sempre aquilo que de uma maneira geral nos identificamos.

Mais do que seguir esta ou aquela dieta, entre tantas indicações sobre o que comer, o importante é encontrarmos um caminho que nos permita ser feliz e que consigamos fazer uma alimentação que nos traga saúde e que nos faça sentir bem! Equilíbrio e bom senso, nas escolhas alimentares, são sempre boas opções.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Menu semanal #21


Para a selecção de receitas desta semana, pensei em alguns produtos da estação que nos chegam na sua plenitude de sabor.

Em Agosto, é tempo, entre outras coisas, de tomate e figos. É a altura do ano em que, muitas vezes, as nossas refeições se fazem com saladas.

Espero que gostem das seguintes sugestões para as refeições da semana!

Ver também menu semanal #20.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Salada de bacalhau com feijão branco


« Eu gosto é do verão
De passearmos de prancha na mão
Saltarmos e rirmos na praia
De nadar e apanhar um escaldão
E ao fim do dia, bem abraçados
A ver o pôr-do-Sol
Patrocinado por uma bebida qualquer
»

A música, Eu gosto é do Verão, do grupo A Fúria do Açúcar, fica no ouvido e simboliza de forma deliciosa o espírito com que vivemos o Verão. Esta é uma época de sol, mar, de caminhadas à beira-mar, de gelados, de petiscos.

Quando a Pescanova me desafiou a preparar uma receita com bacalhau desfiado fresco no ponto de sal, pensei logo no espírito com que vivemos esta época do ano. Procuramos ter tempo para aproveitar o bom tempo, as férias. As refeições, mais do que em outra época do ano querem-se práticas, que não nos roubem muito tempo e, que façam sucesso, assim que chegam à mesa.

Inspirada pelo modo como vivemos o Verão, deixo-vos, hoje, uma saborosa salada de bacalhau fresco no ponto de sal, confeccionada com feijão branco que se faz num instante. Este bacalhau resulta muito bem nas saladas de Verão.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Sopa de feijão branco com couve kale


Mais do que fazer dieta ou seguir um regime alimentar A ou B, o importante, é procurarmos ter um estilo de vida equilibrado. Um estilo de vida que envolva preocupações a nível alimentar e de actividade física.

Mudei de vida aos 41 anos. Uma decisão ponderada. Despedi-me. Fui de férias e quando regressei a confrontação com a nova realidade foi um choque. Passei de uma vida activa, dinâmica, com uma agenda preenchida, para uma vida mais livre, em que a gestão do tempo passou a ser feita por mim. A adaptação a uma nova realidade exige sempre tempo. Podermos gerir a nossa agenda é algo atractivo e romântico, mas a realidade, mostra-nos que a vida nem sempre é uma novela com final feliz. Há novos hábitos a promover, as rotinas passam a ser outras, as preocupações mudam. Há novos desafios.

Passados uns tempos, em casa, percebi que precisava de mudar a minha alimentação. O que procurei foi tentar encontrar uma forma de não fazer dieta, mas comer de forma mais equilibrada. Sem proibições, mas com equilíbrio. A minha preocupação foi, como é que eu comendo, posso perder peso e sentir-me bem? Que tipo de escolhas é que devo fazer, de modo a não me sentir emocionalmente presa pelo peso de comer isto e de não comer aquilo?

Uma das coisas que já fazia, mas que passei a fazer de forma sistemática, foi a ter sopa feita em casa. Lembrem-se que para fazermos uma alimentação equilibrada, um dos primeiros passos é cozinhar em casa. E fazer sopa, não custa mesmo nada. Podemos sempre fazer sopa em quantidade e congelar.

A sopa é uma excelente maneira de iniciarmos as nossas refeições. Se nesta altura do ano, poderá não ser tão atractivo, por causa do calor, comer um prato de sopa a todas as refeições, aconselho a manterem-na pelo menos ao jantar. A sopa ajuda-nos a ingerir mais água, mais legumes e pode ser uma forma de controlarmos melhor a nossa ânsia de comer.

A dieta que devemos procurar fazer deve ser aquela que nos traga alimentos ricos em nutrientes. Associada a esta ideia decidi começar a incluir mais legumes e leguminosas nas minhas refeições. Por isso, cá em casa, há sempre sopa!

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Arroz integral com grão-de-bico e espinafres


Variar o que comemos é importante. Por um lado, oferecemos ao nosso corpo diferentes tipos de nutrientes e, por outro, é uma forma de nos estimularmos emocionalmente.

Comida, emoções e sentimentos, andam tantas vezes de mão dada. Se estamos tristes, por vezes, apetece-nos compensações doces. Se estamos alegres, queremos comemorar com algo que nos alimente e faça fervilhar o nosso estado de espírito.

Há comidas de que temos saudades. Há pratos que nos lembram pessoas, lugares, momentos. Os sabores da memória são ricos em sentimentos. Por vezes, basta o cheiro de um pão no forno, um bolo acabado de ser feito, o café que chega à mesa para viajarmos nas nossas lembranças de momentos felizes, à volta da mesa.

A comida é uma forma de conforto para o corpo e para alma. Deixo-vos, hoje, um prato delicioso que costuma deixar um sorriso em quem o prova. Espero que gostem!

terça-feira, 28 de julho de 2020

Salada de arroz Vénus com camarão e manga


Cruzei-me há uns anos atrás com o arroz Vénus, numa loja em Lisboa, onde tinha ido comprar arroz basmati tufado para uma receita que andava a preparar. Um arroz com uma cor linda e um nome inspirador, não me deixaram indiferente. Acabei por trazê-lo para casa. Na altura, não fazia ideia da origem deste tipo de arroz.

O arroz Vénus é um arroz italiano. Resulta do cruzamento de um arroz típico do Vale do Pó e de uma variedade de arroz negro asiático, conhecido como o arroz proibido.

O nome Vénus é uma alusão à deusa romana do amor. O nome foi escolhido em virtude de o arroz negro ter sido durante muitos anos considerado um poderoso afrodisíaco. Uma das características deste arroz é o seu aroma, intenso, a fazer lembrar o pão acabado de fazer. É um arroz integral, que para além de uma cor bonita, é rico em antioxidantes.

Para cozer este arroz é aconselhável demolhar previamente. Uma curiosidade, a água fica negra, mas o arroz não perde a coloração.

Os dias quentes de Verão pedem comidas frescas e, de preferência, coloridas. Cá por casa, as saladas têm sido o prato, mais vezes, escolhido. Para dar destino ao arroz Vénus que tinha cozido, decidi fazer uma deliciosa salada.