quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um jantar dedicado ao ouriço-do-mar


Rumei até Cascais, na passada sexta-feira à noite. A chuva e o trânsito caótico não me demoveram. O convite para o primeiro jantar, do ano de 2014, do projecto Endógenos, apresentava o ingrediente escolhido de forma peculiar, «Ele é esquisito, primitivo, espinhoso e de bonito não tem muito. Mas, se formos mais além dos espinhos, vamos descobrir a delícia dentro de um equinodermo. Ouriço-do-mar para os mais chegados». Até este jantar, acho que nunca tinha comido ouriço-do-mar e estava muito curiosa.

O projecto Endógenos procura promover alguns dos produtos existentes no nosso país, que de uma forma ou outra, têm vindo a ficar esquecidos. O primeiro jantar em que tive o prazer de participar, foi dedicado ao medronho. O próximo irá decorrer agora em Fevereiro e será dedicado aos cogumelos e terá como parceiros o nabo e as ostras. Este ano serão realizadas doze degustações, uma por mês, em local a definir. Uma das particularidades destes jantares ou degustações é que todos os pratos servidos incluem o produto endógeno escolhido, desde a bebida de boas vindas até à sobremesa.

O jantar dedicado ao ouriço-do-mar decorreu no restaurante 100 Vícios, projecto do chef António Alexandre, conhecido mais recentemente pela sua participação, enquanto professor, no programa TV Chefs' Academy, para além de ser o chef executivo do Hotel Marriot, em Lisboa.

Assim que cheguei fui calorosamente recebida com um bebida de boas vindas, um Ouriço Royal, a lembrar o Kir Royal, com vinho do Porto e ouriço-do-mar. É curioso ver a nossa expressão quando somos surpreendidos. Assim que ouvi o nome e peguei no copo perguntei à senhora que me servia, esta bebida tem ouriço-do-mar? Sim, foi a resposta. Penso que conseguem imaginar a minha cara de surpresa. Curiosamente, a bebida era muito agradável. A cada gole, sentia-se um sabor a mar, que lembrava o cheiro doce e salgado da maresia, numa manhã fresca.

Uma das questões que coloquei ao responsável pelo projecto Endógenos, Nuno Nobre, foi como é que o chef António Alexandre ia servir o ouriço na sobremesa. Conseguem imaginar uma sobremesa com ouriço-do-mar? A minha pergunta foi recebida com um simpático sorriso e o segredo só foi desvendado na altura certa.

Já sentados à mesa, fomos surpreendidos com um misterioso cartucho, a lembrar os embrulhos de papel pardo que antigamente se faziam nas mercearias. Como uma criança curiosa e impaciente abri logo o embrulho e descobri três pastéis mornos e estaladiços. Comecei pelo de batata-doce, de seguida escolhi o de chouriço e terminei com o de ouriço. De todos, o que achei com o sabor menos intenso, foi o da batata-doce. Os outros, maravilha. Os pastéis foram acompanhados por um vinho do Porto Burmester branco seco.


Ainda nas entradas, o ouriço chegou-nos em grande e abriu-nos ainda mais o apetite para tudo o que se seguiria. Que prato bonito, foi o que pensei quando me colocaram à frente a primeira entrada. O ouriço foi servido na sua casca espinhosa com sapateira, algas, espargos, sésamo, natas, ovas de salmão e uma folha de cerefólio. A acompanhar, garoupa com vinagrete e ouriço. Que sabor bom! A garoupa estava magnífica e depois de experimentar o recheio da casca do ouriço tive a certeza, afinal, gosto muito de ouriço-do-mar. Acompanhámos esta entrada, intitulada Douriço, com um vinho verde Quinta Azevedo.


E como a noite estava chuvosa, soube muito bem o caldo, quentinho, com ravióli de ouriço, lavagante e batata-doce. Um caldo cheio de mar.


Nos pratos principais, uma tranche de pampo servida com manteiga de ouriço-do-mar, acompanhada por um arroz cremoso de lima, algas e salicórnia, polvilhado com rama de funcho, transportou-nos para dias bonitos de praia e mergulhos no mar. O arroz tinha uma cremosidade deliciosa, deixando sobressair a textura crocante da salicórnia. O pampo, bem cozinhado, fez-nos sonhar com caminhadas na praia ao pôr-do-sol de mão dada e felicidade no ar. Aqui só faltou um pouco mais de ouriço, de resto, perfeito. Bebemos um vinho branco Quinta dos Carvalhais Duque de Viseu, muito agradável.


Codorniz recheada com queijo e ouriço, envolvida numa fatia de bacon e acompanhada por batata-doce e uma folha de espinafre, foi o prato de carne. A codorniz estava tenra e suculenta. A acompanhar a carne, foi servido um vinho tinto do Alentejo, Casa de Sabicos A.T.N.


E a revelação da noite, dada a minha curiosidade, foi em parte a sobremesa. O chef António Alexandre surpreendeu todos os convivas servindo um trio de leite creme. Leite creme de chouriço, leite creme de ostra e leite creme de ouriço-do-mar. Incrível. A imaginação e a criatividade dos grandes chefs deixa-nos de boca aberta. É esta a grande diferença entre a Cozinha e a Cozinha de Precisão. Assim que levei a primeira colherada do leite creme de chouriço à boca, só pensei: - isto é mesmo bom! O de ostra estava tentador, mas aquele que apetecia repetir uma e outra vez, era o do ouriço. Em cada colherada éramos surpreendidos por pedacinhos de ouriço-do-mar. Divino. O trio de leite creme foi acompanhado por um moscatel de Favaios.


Este jantar foi uma refeição com o sabor do mar sempre presente. Notou-se o cuidado e a atenção que o chef António Alexandre coloca na preparação dos seus pratos e o respeito que demonstra pelos produtos. No final do jantar, fez questão de nos apresentar a sua equipa.

O custo de uma refeição no projecto Endógenos é de vinte e cinco euros com as bebidas incluídas. Para além de ser uma noite de convívio, é principalmente uma experiência gastronómica única. Um jantar dedicado a um produto endógeno, a que dificilmente temos acesso. Nunca vi ouriços-do-mar à venda. E pelo que percebi, é um produto pouco valorizado por cá, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Espanha. Os ouriços que foram servidos neste jantar foram apanhados por pescadores da Ericeira, na zona do Cabo da Roca. Este projecto é também uma forma de promover e valorizar, para além dos produtos portugueses, os produtores e as regiões.

Encontramo-nos no próximo jantar do projecto Endógenos dedicado ao capão?


Outro olhar sobre este jantar:
- Ouriço do Mar - uma delícia protegida por espinhos por Paulina Mata.

Mais informações sobre o projecto Endógenos na respectiva página no Facebook.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Salada de agrião com pêra e queijo azul


Os dias de Inverno pedem pratos que gritem conforto. Bebidas a fumegar, comidas de forno que nos abrem o apetite. Mas há dias de Inverno em que chegamos a casa e não temos tempo. Impacientes por ter a comida na mesa e podermos descansar um pouco da azáfama do dia-a-dia. Não temos tempo para descascar, picar e cozer. Não temos tempo para temperar, deixar a marinar e colocar no forno. A opção para estes dias em que chego a casa sem tempo é muitas vezes uma salada com o que temos à mão. Hoje, deixo-vos uma sugestão com uma combinação vencedora, queijo azul e pêra que fiz para a edição de Setembro de 2013 da revista Saber Viver.


Ingredientes:
150 g de agrião
1 pêra grande
150 g de queijo azul
50 g de nozes
1/2 cebola roxa
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de vinagre balsâmico
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Cortar a pera ao meio. Retirar o caroço e cortar em fatias muito finas.

2. Numa taça colocar o agrião, a pera cortada, o queijo azul cortado em pedaços, as nozes picadas grosseiramente e a cebola roxa cortada em meias luas.

3. Numa taça misturar o azeite, o vinagre, sal e pimenta preta a gosto. Mexer.

4. Regar a salada com o molho, mexer e servir.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Chocolate quente para dias frios


O Inverno vem coberto de um manto branco, a que chamamos frio. Traz as tempestades e os ventos fortes. Traz a chuva e a vontade de nos escondermos e agasalharmos no conforto de bebidas quentes.

O Inverno

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,
O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:
Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:
Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Eugénio de Andrade in Aquela Nuvem e Outras


E como no poema de Eugénio de Andrade, precisamos de casacos quentes, cachecóis, luvas e bebidas bem quentes para vencermos os dias frios de Inverno, deixo-vos aqui esta bebida, um delicioso chocolate quente, que preparei para a edição de Janeiro de 2014 da revista Saber Viver.

Ingredientes:
1 l de leite gordo
250 g de chocolate com 70% de cacau
2 paus de canela
4 cardamomos
2 colheres de sopa de extracto de baunilha
35 g de açúcar amarelo
10 g de amido de milho


1. Ralar o chocolate para uma taça. Adicionar o amido de milho, o açúcar e o extracto de baunilha.

2. Aquecer o leite com a canela e os cardamomos.

3. Regar o chocolate com o leite a ferver, retirando previamente a canela e o cardamomo. Mexer muito bem.

4. Levar ao lume novamente, mexendo, assim que levantar fervura, retirar e servir.

Este chocolate quente não fica muito doce. Quem gostar mais docinho, basta aumentar a quantidade de açúicar.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Consomê de galinha com ravióli


Janeiro chega ao fim, com chuva e dias cinzentos, como o Inverno sempre nos habituou. Este foi um mês de balanços e reflexões. De traçar objectivos. Foi um mês de muitos cozinhados. Tantos que comecei a pensar que este ano também devo fazer uma lista dos utensílios que há muito quero e que, por um ou outro motivo, tenho sempre a adiado a compra.

Na minha lista de utensílios deste ano para a minha cozinha quero um sifão, para servir natas, é maravilhoso. Uma mandolina. A minha, das mais simples, já deu o que tinha a dar e por isso tenho que a substituir. Um ralador Microplane, mais prático e eficiente do que actualmente tenho. Ver se é este ano que consigo uma panela da Le Creuset. Ainda é cedo, mas não imaginam o que eu adoraria se este ano, nos presentes de Natal, assim por acaso aparecesse uma batedeira da Kitchen Aid! Acho que conseguem imaginar a minha cara de felicidade se isso acontecesse?!

Bem, enquanto termino de fazer a minha lista de utensílios, deixo-vos um caldo quente e cheio de sabor, consomê de galinha com ravióli, ideal para uma refeição reconfortante num dia de Inverno, para fazerem no fim-de-semana com tempo.


Ingredientes:
2 l de caldo de galinha
100 g de cebola
100 g de talo de aipo
100 g de cenoura
250 g de carne de galinha limpa de peles e ossos
3 claras de ovo
10 g de cebolinho fresco picado
250 g de ravióli frescos de ricota e espinafres
Queijio parmesão ralado q.b.
Sal q.b.


1. Picar a cebola, o aipo e a cenoura.

2. Com a ajuda de uma picadora, picar a carne de galinha.

3. Numa taça, juntar os legumes picados e a carne.

4. Bater as claras em castelo. Envolvê-las na mistura anterior.

5. Colocar o caldo de galinha numa panela. De seguida, adicionar a mistura de claras com os legumes. Dispor de forma a que a mistura forme uma camada por cima do caldo.

6. Levar a lume brando, sem deixar ferver. Assim que a mistura das claras estiver quente, com uma colher fazer um buraco ao meio.

7. Deixar cozinhar durante 1h, em lume baixo.

8. Com uma colher de sopa, retirar o caldo. Se necessário, coar.

9. Temperar o caldo com sal.

10. Cozer os raviólis seguindo as indicações da embalagem.

11. Servir o consomê com os ravioli cozidos, cebolinho picado e o queijo ralado.


Para fazer aproximadamente 2l de caldo de galinha

Ingredientes:
4 l de água
Asa e ossos de 1/2 galinha
2 cenouras
1 cebola
1 talo de aipo
4 folhas verde de alho-francês
1 folha de louro
1 raminho de salsa
1 raminho de tomilho


1. Colocar a água numa panela com a asa e os ossos da galinha.

2. Levar ao lume e deixar ferver. Com a ajuda de uma escumadeira, retirar a espuma que se vai formado.

3. Adicionar as cenouras descascadas e cortados em quatro, o talo de aipo, as folhas de alho-francês, a folha de louro, a salsa e o tomilho atados em raminho (bouquet garni).

4. Deixar cozinhar durante 1h20 a 1h30.

5. Coar o caldo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quem aceita um chá quente de gengibre com especiarias?


No Inverno adoro beber chá quente. Há algo de reconfortante numa chávena de chá a fumegar, a meio de uma tarde chuvosa e fria. Ou então, depois de jantar. Sabe sempre tão bem.

Hoje deixo-vos um chá de gengibre com especiarias em cima da mesa que preparei para a edição de Janeiro de 2014 da revista Saber Viver. Aceitam?

Ingredientes:
1 l de água
10 g de gengibre fresco
1 estrela de anis
1 pau de canela
2 cardamomos
6 g de erva-doce em grão
Açúcar q.b.


1. Cortar o gengibre em fatias finas.

2. Colocar todos os ingredientes numa cafeteira e levar ao lume. Deixar ferver durante quatro minutos.

3. Deixar em infusão até a erva-doce assentar no fundo. Antes de servir, coar a mistura e juntar o açúcar a gosto. Mexer.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Molho de tomate com manjericão em 20 minutos


O tomate faz parte dos meus cozinhados durante todo o ano. Adoro fazer receitas com este fruto, principalmente, quando ele nos chega no Verão, na sua plenitude de doçura. Houve uma altura em que lhe dediquei a chamada "Semana Tomática". Como diz o ditado popular, em tempo de tomate não há más cozinheiras. A verdade é que o tomate torna tudo mais saboroso. No resto do ano, encontro muitas vezes alternativas ao tomate fresco. Uma dessas alternativas é o tomate em conserva.

E com tomate em conserva também podemos fazer um delicioso molho de tomate que não demora mais de vinte minutos a preparar.

Ingredientes:
800 g de tomate pelado inteiro em conserva
1 cebola
2 dentes de alho
0,5 dl de azeite
1/2 colher de chá de açúcar
3 folhas verdes de alho-francês
10 g de manjericão
Sal e pimenta-preta q.b.


1. Picar a cebola e os alhos.

2. Levar ao lume um tacho com a cebola, os alhos e o azeite. Deixar refogar até a cebola quebrar.

3. Abrir a lata do tomate e escorrer o molho.

4. Triturar o tomate pelado inteiro com o passe-vite e adicionar ao refogado.

5. Juntar as folhas de alho-francês. Temperar com sal, pimenta e o açúcar.

6. Deixar apurar. Uns minutos antes de retirar do lume, adicionar o manjericão picado.

7. Retirar as folhas de alho-francês e guardar ainda quente num frasco, previamente esterilizado, ou servir de imediato.


Esta receita dá para aproximadamente 450 g de molho de tomate.

Esta é uma receita rápida de molho de tomate, ideal para consumir num curto espaço de tempo. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As 10 receitas mais vistas de 2013


Janeiro está quase a chegar ao fim. Para mim, é sempre um mês de balanços e reflexões, sobre o que fiz e o que quero fazer. Tenho vindo a publicar ao longo deste mês vários apontamentos com selecções de diversas categorias das dez receitas mais vistas em 2013.

Hoje deixo-vos as dez receitas que os leitores mais viram no ano transacto independentemente da sua categoria. No pódio temos Gin Tónico, uma receita rápida com bacalhau e um bolo - o único do top 10! - um maravilhoso brownie de chocolate com nozes. Aqui ficam as dez receitas publicadas em 2013 mais vistas pelos leitores durante o mesmo período: